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Brasília - O 3º Relatório Nacional sobre Direitos Humanos no Brasil,
que será divulgado amanhã (16) pelo Núcleo de Estudos da Violência da
Universidade de São Paulo (NEV/USP), traz uma série de constatações alarmantes. Mas também apresenta exemplos de reforma e
aperfeiçoamento da polícia em estados onde a
violência policial costuma ser manchete: Minas Gerais e São Paulo.
O levantamento
da USP ressalta que há cidades e áreas nesses dois estados que incorporam
estratégias de prevenção do crime e da violência através de parcerias entre
administração estadual e municipal, polícias Civil e Militar, guarda
municipal e sociedade civil.
Em Minas Gerais é citado o exemplo do projeto Fica Vivo, implementado na
capital Belo Horizonte. O programa visa reduzir os homicídios em regiões de
alto risco de violência com ações de repressão criminal, de organização e
mobilização social.
A experiência
piloto foi desenvolvida no Morro das Pedras, envolvendo a Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG), a prefeitura, as polícias Civil e Militar, o Ministério
Público e a comunidade. Houve redução no número de homicídios. O sucesso levou
o projeto a outras áreas da capital e aos municípios vizinhos.
Outra medida
destacada é a abertura de diálogo e integração entre
a polícia mineira e grupos discriminados. A ouvidoria de polícia, em 2004,
promoveu uma série de debates com homossexuais, policiais militares e civis.
O objetivo era discutir o preconceito e a violência de policiais em relação aos
gays, lésbicas, travestis, transexuais e bissexuais. No ano seguinte, a mesma
ouvidoria debateu formas para reduzir a discriminação e violência praticada
pela polícia contra esses grupos.
Já em São Paulo, a referência apontada pelo relatório é a cidade de São Carlos,
onde o Plano Municipal Integrado de Segurança Pública foi premiado, em 2005,
pelo Programa de Gestão Pública e Cidadania da Fundação Getúlio Vargas.
Criado em 2001,
o plano promoveu a integração de órgãos estaduais e municipais de segurança
pública no controle e prevenção da violência.
O relatório também destaca como exemplo o município de Diadema, que ficou nacionalmente
conhecido no final dos anos 90, a partir da divulgação de um vídeo amador que
mostrava a polícia local agredindo pedestres.
A prefeitura da
cidade desenvolveu o programa Diadema Segura e passou a atuar como parceira de
ações promovidas por organizações municipais e estaduais, além da sociedade
civil. O resultado tem sido bastante positivo, assinala o levantamento da
universidade.
A conclusão geral do estudo é de que a
ineficácia do Estado diante do aumento da violência gera ainda mais
violação de direitos humanos, impunidade e aumenta o sentimento de
insegurança e revolta da população.
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