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Brasília - Apresentador: Olá, você, em todo o Brasil. Eu sou Luiz Fara Monteiro e começa o Café com o Presidente, o programa de rádio do presidente Lula. Bom dia, presidente. Presidente: Bom dia, Luiz. Apresentador:
Presidente, o plano do governo para melhorar a qualidade da educação,
apresentado na semana passada, foi bem recebido pela maioria dos
educadores que vieram a Brasília discutir as propostas com o MEC. O que
é que tem de novo nesse Plano de Desenvolvimento da Educação? Presidente:
Luiz, primeiro, o plano foi muito bem recebido. Acho que foi um acerto
extraordinário convocar educadores de todo o Brasil para que o ministro
Fernando Haddad apresentasse o programa. O mesmo nós vamos fazer com o
Conselho Político, chamar todos os líderes e fazer uma apresentação,
porque nós não queremos que o programa seja do Ministério da Educação,
seja do governo. Nós queremos que o programa seja um programa da
sociedade brasileira, mais ou menos como nós fizemos na reforma
universitária. Mas, para falar sobre o programa de educação que nós
pretendemos implantar, nada melhor do que o próprio ministro Fernando
Haddad, que hoje é nosso convidado especial. Essa pergunta, Luiz, seria
importante que o Fernando Haddad respondesse. Então, você pode fazer a
pergunta para o Fernando Haddad.
Apresentador: Ministro, bom dia. O que é que tem de novo nesse Plano de Desenvolvimento da Educação Brasileira?
Ministro: Bom dia, presidente. Bom dia, Luiz. Bom, trata-se
de 20 ações que vão desde a construção de creches, onde não há oferta
de educação infantil, até bolsas para pós-doutorado, ou seja, para que
os doutores formados nas nossas universidades não deixem o país. Mas a
grande ênfase desse plano é a qualidade da educação básica. Nós, em
2005, realizamos uma prova chamada Prova Brasil, que foi aplicada a 3,3
milhões de estudantes da quarta e da oitava séries do ensino
fundamental. Com base nisso, nós temos hoje uma grande radiografia das
escolas que vão bem, das escolas que não vão tão bem, dos sistemas
municipais que estão em patamares de desenvolvimento equivalentes aos
de países desenvolvidos, sistemas municipais que estão muito aquém do
desejado. Agora, trata-se do Ministério da Educação apoiar aqueles
sistemas que estão com os piores indicadores e promover a qualidade em
todo o país. Lula: Luiz, eu tenho demonstrado ao ministro
Fernando Haddad uma preocupação - nós temos que ajudar os professores
brasileiros a se reciclarem. Com o piso dos professores, a gente,
certamente, vai melhorar o nível e a vontade deles de participar. Eu
penso que a proposta foi bem aceita pelo conjunto da sociedade, porque
todo mundo sabe que nós precisamos melhorar a educação no Brasil. Ministro:
O presidente colocou uma questão essencial. Nessa prova da quarta e da
oitava séries, o que ficou demonstrado é que se você não fizer um
acompanhamento dos alunos desde os seis anos, quando você constata que
esse aluno não está com conhecimento condizente com a sua idade na
quarta série, há muito pouco que se pode fazer para recuperar. Então,
uma das propostas deste Plano de Desenvolvimento da Educação é fazer um
acompanhamento individualizado a partir dos seis anos. É uma provinha,
chamada Provinha Brasil, que vai ser aplicada pelo próprio professor,
mas para garantir alfabetização no máximo até os oito anos de idade
para todos os brasileiros. Uma segunda questão que o presidente fez
referência é a questão da valorização e formação dos professores.
Valorização mediante fixação do piso nacional do magistério. Nós temos
hoje 50% dos nossos professores ganhando menos de R$ 800 por mês, por
uma jornada de 40 horas. Apresentador: Esse quadro vai mudar, ministro? Ministro: Esse quadro muda com a fixação do piso que vai ser encaminhado ao Congresso Nacional até o final de março. Apresentador: Você está ouvindo o Café com o Presidente.
Hoje falamos sobre as propostas para melhorar a educação no Brasil e
com a participação especial do ministro Fernando Haddad. Ministro,
aqueles municípios com situação mais preocupante na educação, o que
eles vão receber do governo? Ministro: Depende muito da
capacidade financeira do município, porque há municípios que estão com
baixo indicador de qualidade, mas têm recursos. Esse município precisa
de apoio técnico do governo federal. Mas há municípios que, além de um
baixo indicador de qualidade, não têm capacidade financeira. Esse
município tem que receber tanto apoio técnico quanto apoio financeiro. Presidente:
Eu penso que nós estamos dando um passo acertado, Luiz, é um passo
gigantesco. Nós estamos convencidos no governo de que sem esse passo, a
gente não vai resolver o problema da educação no Brasil e, muito menos,
o problema da juventude. Veja que são dois problemas: melhorar a
qualidade dos meninos que entram na escola agora e trazer de volta os
meninos que já saíram da escola por falta de esperança, por falta de
interesse, ou seja, as mães quando seus filhos vão para escola, o que a
mãe fica sonhando e esperando é que o filho esteja aprendendo. Agora,
se a escola não ensina direito, se o menino não está motivado, nós
temos que descobrir como fazer para resolver esse problema. Então,
aquilo que eu disse no discurso da posse - sabe, nós vamos terminar o
nosso mandato com internet banda larga em cada escola municipal
brasileira, na escola pública. Nós vamos permitir que os brasileiros
sejam tratados em igualdade de condições. Uma dessas condições que
garante cidadania é você permitir que eles tenham acesso à internet no
mais longínqüo município brasileiro. Apresentador: OK, presidente. Obrigado e até a próxima semana com mais um Café com o Presidente. Presidente: Obrigado a você, Luiz. Apresentador: Obrigado, ministro Fernando Haddad pela sua participação aqui no programa. Ministro: Obrigado, Luiz. Obrigado, presidente. Apresentador: Se você deseja enviar alguma sugestão para o MEC em relação à educação brasileira, escreva para o endereço eletrônico pde@mec.gov.br. Até semana que vem com mais um.
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