|
Brasília - O fato de o Brasil deter 13% da água doce
do planeta é motivo de preocupação para o
governo, não no sentido da abundância, mas quanto à
soberania nacional em relação aos recursos hídricos,
revelou hoje (21) o secretário de Recursos Hídricos do
Ministério do Meio Ambiente (MMA), Marley Caetano de Mendonça.
Essa preocupação, segundo o secretário, tem
levado o Estado brasileiro a se “proteger”, ao não
considerar como águas internacionais os rios compartilhados
com os países vizinhos.
“Esse é um tema central de
discussão no âmbito do governo. Temos tido o cuidado de
garantir a soberania sobre as águas subterrâneas e de
nossos rios. É uma questão de estratégia de
estado não considerar recursos hídricos compartilhados
como águas internacionais”, informou o secretário,
depois de encontro, em Brasília, com representantes do governo
e da sociedade civil, que discutiu o Plano Nacional de Recursos
Hídricos (PNRH).
Segundo Mendonça, o governo
precisa tomar esse “cuidado” pois qualquer erro pode interferir
no desenvolvimento do Brasil. “Com esse cuidado, pautamos os
tratados específicos com os vizinhos, evitando que futuramente
haja interferência internacional na gestão de nossas
águas”, frisou. Mendonça ressaltou, ainda, que essa
preocupação marca os tratados sobre recursos hídricos
com os países da região amazônica.
O secretário do MMA disse que
no momento não há nenhum tipo de problema referente ao
compartilhamento de águas com os vizinhos, “nem para o
futuro”. E que não existem preocupações com as
duas bacias hidrográficas internacionais brasileiras: a
Amazônica, cujas nascentes de alguns rios estão
localizadas nos países fronteiriços, e a do Rio Paraná,
quando o processo se dá de maneira inversa - o Brasil é
“fornecedor” de água.
|
|