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Brasília - A licença de instalação
concedida hoje (23) pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Renováveis (Ibama) para que o Ministério da
Integração Nacional inicie as obras de transposição
do Rio São Francisco está ligada ao cumprimento de 51
condicionantes. A licença tem validade de quatro anos desde a
sua assinatura.
As principais condicionantes, de acordo com o
Ibama, referem-se à priorização da contratação
de mão-de-obra local e a apresentação de um
plano de ação solicitado pela Fundação
Nacional do Índio (Funai). O Ministério da Integração
terá que assinar um acordo com a Funai garantindo o
desenvolvimento das comunidades indígenas Truká,
Tumbalalá, Pipipã e Kambiwa.
O Ministério da Integração
também deverá possibilitar o acompanhamento pela
Fundação Cultural Palmares na implementação
do Programa de Apoio às Comunidades Quilombolas. Outra
condicionante se refere ao reassentamento das populações
atingidas pelas obras. Eles terão que ser instalados em áreas
agricultáveis, a uma distância de 2,5 quilômetros,
a partir de cada uma das margens dos canais.
O Ibama também vai monitorará mais de uma dezena de programas, entre eles uma para redução de perdas e
reúso de água, um de controle da erosão e outro
de prevenção à desertificação.
O diretor de licenciamento do Ibama, Luiz Felippe
Kunz Júnior, disse que durante o período de instalação
o órgão acompanhará a construção
por meio da avaliação de relatórios feitos pelo
Ministério da Integração Nacional e de vistorias
em campo. De acordo com ele, a licença de operação
só será conceda se houver o atendimento a todas
exigências.
“Agora a fase é de monitorar e acompanhar
as obras. Como qualquer empreendimento, se não houver o
cumprimento das condicionantes, se a obra for feita em desacordo com
a licença, o Ibama pode exercer medidas de fiscalização
que vão desde a atuação até o embargo da
obra. Essa é uma atribuição nossa para qualquer
projeto”, explicou Kunz Júnior, em entrevista à
Agência Brasil.
O diretor disse que os principais impactos se
referem à própria transposição, como o
corte de rodovias, de infra-estrutura da região, da vegetação
nativa e a mudança no regime de alguns rios, que passarão
a receber água continuamente.
Luiz Felippe Kunz Júnior descartou qualquer
a possibilidade de suspensão da licença de instalação:
“Só se tivéssemos um fato extraordinariamente
significativo que trouxesse essa possibilidade, mas eu nem imagino
que fato seria esse”. Perguntado sobre a recomendação
feita nesta semana pela Procuradoria da República do Distrito
Federal para que orgão não concedesse a licença,
ele respondeu que “não há que tratar de
recomendação”. “Se o procurador quiser alguma
coisa, consiga uma decisão judicial no Supremo [Tribunal
Federal]. Não estamos mais tratando dessa fase”, comentou.
As obras vão ser iniciadas nos 1 e 2 do
Eixo Norte e no trecho 5 do Eixo Leste do Projeto de Integração
do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do
Nordeste Setentrional.
Fazem parte da infra-estrutura do projeto a
construção de estações de captação
e bombeamento de água, aquedutos, túneis e
reservatórios. As obras vão atingir Ceará,
Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.
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