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Rio de Janeiro - Dados divulgados
nesta sexta-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) apontam que 32,1 milhões de
brasileiros, cerca de 21,9% da população acima dos 10
anos de idade, utilizaram a rede mundial de computadores, a internet,
no país.
O número é expressivo,
e coloca o Brasil como o primeiro país da América
Latina e o quinto no mundo no uso da internet. Se for
considerado, no entanto, o número de internautas em relação
à população do país, a situação
relativa do país é bem diferente. Nesta avaliação,
o Brasil ocupa a 62ª posição mundial e a quarta na
América Latina, sendo ultrapassado pela Costa Rica, Guiana
Francesa e Uruguai.
A comparação, feita a
partir de informações da União Internacional de
Telecomunicações (UIT), foi divulgada pela assessoria
do Comitê Gestor da Internet no Brasil, um dos parceiros do
IBGE na realização da pesquisa.
Marcelo Carvalho supervisor do
projeto social Estação Futuro, que mantém vários
centros de popularização da internet em
comunidades de baixa renda no Rio de Janeiro, considera o acesso à
internet no país ainda muito limitado. Para ele, os
preços dos computadores são o principal motivo para que
cerca de 128 milhões de brasileiros ainda não utilizem
o serviço. “Ainda é um número muito pequeno
(de usuários), e isso acontece por causa do valor dos
equipamentos. As pessoas de comunidades carentes não têm
verba extra para comprar computador”, explicou Carvalho.
Para o presidente da Agência
Nacional de Telecomunicações (Anatel), Plínio de
Aguiar, a utilização da internet no Brasil tem
como obstáculo, além do baixo poder aquisitivo da
população, questões mercadológicas que
impedem a chegada de portais de acesso em regiões menos
desenvolvidas do país. “Não há portais de
acesso à internet ao longo de regiões menos
desenvolvidas do país e esse é um obstáculo de
ordem macroeconômica, envolvem interesse comercial, de se serem
implantados portais em regiões menos desenvolvidas”.
Aguiar salientou que o governo
brasileiro, por meio do Ministério das Comunicações
e da Casa Civil, está desenvolvendo políticas públicas
para promover o acesso à internet, e a Anatel vai
regular essas atividades.
“Há projetos. O governo está
definindo a política de difusão da banda larga no país
e nós temos alguns instrumentos para isso, com a utilização
do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços
de Telecomunicações). É um recurso que pode
promover o uso de internet por entidades públicas como
escolas, instituições de saúde e de segurança,
que não podem pagar pela internet”, informou o
presidente da Anatel.
O levantamento divulgado nesta
sexta-feira pelo IBGE é um suplemento especial da Pesquisa de
Amostragem por Domicílio (PNAD), que coletou informações
em 140 mil domicílios brasileiros no ano de 2005.
Inédita no Brasil, a pesquisa
sobre acesso à internet e a posse de telefone móvel
celular, foi elaborada segundo metodologia que permite comparar as
informações nacionais sobre o uso da tecnologia da
informação e comunicação com as de outros
países.
O estudo servirá de base para orientar
políticas públicas do governo federal para o setor.
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