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28 de Março de 2007 - 23h21 -
Última modificação
em 28 de Março de 2007 - 23h21
Familiares não crêem em versão das Forças Armadas sobre documentos do Araguaia
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil
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Fabio Pozzebom/ABr
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Brasília - O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, fala sobre o relatório final da comissão interministerial criada com o objetivo de identificar a localização dos desaparecidos na Guerrilha do Araguaia
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Brasília - A advogada da Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos, Maria Amélia Teles, acredita na existência de documentos oficias da Forças Armadas que esclareçam a Guerrilha do Araguaia e ajudem a encontrar os corpos dos desaparecidos políticos. As Forças Armadas afirmam não possuir mais documentos oficiais sobre a operação de repressão à guerrilha, segundo relatório divulgado hoje (28) pela Comissão de Interministerial voltada para identificar e localizar os desaparecidos no Araguaia. Para comprovar que a documentação foi destruída o relatório pede que os Comandos Militares apresentem termos de destruição dos papéis solicitados.
“Eu acredito que existem documentos das Forças Armadas e do próprio Serviço Nacional de Informações da época porque é um hábito da repressão política no Brasil, documentar esses acontecimentos e as investigações. É uma tradição. Já pesquisei muitos arquivos públicos de documentos policiais da época”, afirmou entrevista à Agência Brasil.
A advogada da comissão comenta que a partir de documentos pessoais do General Bandeira, entregues pela filha do militar a jornalistas em 1996, foi encontrado e identificado um único corpo, o da militante e estudante Maria Lúcia Petit. Teles lembra também que no caso da operação que matou Carlos Lamarca, em 1971, foram encontrados registros de toda a ação. “Com o número de militares envolvidos, quantos quilômetros foram percorridos no interior da Bahia como encontraram Lamarca, e até os diálogos dos militares com o militante”, afirmou. Para ela, os documentos existem, “o que é preciso é ter boa vontade para encontrá-los”.
Contudo, os documentos das Forças Armadas não são única forma de encontrar os desaparecidos e recuperar o momento histórico. Teles aposta nos depoimentos de militares que ainda estão vivos e são testemunhas oculares do conflito. “Eram cerca de 70 militantes políticos. Dá para lembrar a história de cada um, os traços físicos. São pessoas que fizeram história em um momento difícil para o país e deste fato não se esquece. Tanto nós que perdemos, como quem prendeu, torturou e matou.
Crimélia Alice de Almeida perdeu na Guerrilha do Araguaia o marido, o cunhado e o sogro, que estão até hoje desaparecidos. Ela comente que “a situação de espera é muito decepcionante porque é um estado democrático que preserva a impunidade. Não esclarece a verdade, não se faz Justiça”.
O documento divulgado pela Comissão Interministerial também considera as hipóteses de Teles. Apesar de constatar a falta de provas, recomenda ao Ministério da Defesa, em parceria com a Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos (CMDP), da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH) a manutenção de uma instância para que militares da ativa e da reserva possam testemunhar ou divulgar informações que contribuam para o esclarecimento dos fatos.
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