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Washington, DC (EUA) - O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) estima que entre de 1,2 milhão e
1,5 milhão de brasileiros viva nos Estados Unidos, de forma legal ou
clandestina. Essa é a maior comunidade brasileira fora do país e
representa cerca de metade do número total de emigrantes brasileiros, estimado em 2,5 milhões a 3 milhões de pessoas.
Parte desse contingente pode ser afetada pelo projeto do presidente
norte-americano, George W. Bush, de facilitar a concessão de vistos para
estrangeiros e legalizar imigrantes que hoje estão
clandestinos.
Para o coordenador do Programa de Estudos Brasileiros da Universidade
de Georgetown (EUA), Bryan McCann, se for aprovada pelo Congresso
norte-americano, a nova legislação facilitará a vida dos brasileiros.
"Para os brasileiros que já estão aqui, sem documentos, há vários anos
trabalhando e pagando impostos, mesmo que seja com código de social
security (seguro social, o equivalente ao CPF) falso, isso pode ajudar sim a normalizar essa
situação", afirmou McCann.
O empresário Dario Santos, de 55 anos, vive nos Estados Unidos em
situação legal, mas espera uma mudança na legislação para que outros
brasileiros sejam beneficiados. Morador da região de Washington desde
1986, ele hoje ajuda compatriotas a procurar a regularização de sua
situação.
Ele chegou a manter um local chamado de Casa do Brasil por cerca de
sete anos entre 1988 e 1995, e abrigava brasileiros recém-chegados
aos Estados Unidos que não tinham uma casa para ficar. Ele também os ajudava
a conseguir um green card [documento que permite a residência de um
estrangeiro nos EUA]. "Hoje é muito mais difícil conseguir isso. Mas
continuamos ajudando os brasileiros. O prédio da Casa do Brasil não
existe mais, mas eu ainda sou a Casa do Brasil", disse Santos.
A jornalista mineira Valéria Buffo chegou aos Estados Unidos há seis
anos, para se casar com seu namorado norte-americano. Ela acredita que
a nova lei, proposta pela Casa Branca, deve encorajar brasileiros que
estão há muito tempo em território americano a sair de suas "tocas".
Mesmo sem ter passado por dificuldades que normalmente ilegais passam,
como não ter direito a usufruir de benefícios do Estado e viver sob
ameaça de deportação, Valéria conta que a vida nos Estados Unidos não
é fácil para um brasileiro.
"Você sente falta das coisas mais básicas. Do arroz e feijão, por
exemplo. Você sente falta de almoçar. Aquela coisa de ter comida. Aqui
todo mundo come em pé, num carrinho de cachorro-quente. A língua é bem
difícil. Eu fiz um cursinho de inglês no Brasil, mas eu sabia só
coisas como 'how are you?' [Como está você?]. Era bem difícil me
comunicar com as pessoas. E eu também não tenho ninguém da família
aqui. É muito difícil", conta Buffo.
A reportagem viajou a convite da Presidência da República.
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