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Rio de Janeiro - Dois anos depois da Chacina da Baixada Fluminense, apenas um dos sete acusados foi
condenado pelo crime. Outros cinco policiais militares suspeitos de
participar da matança, que deixou 29 pessoas mortas e uma
ferida, ainda não foram levados a julgamento. Um sétimo
acusado, que estava colaborando com as investigações,
acabou sendo morto.
A chacina aconteceu em 31 de março
de 2005 em Nova Iguaçu e Queimados (RJ). O promotor
responsável pelo caso, Marcelo Muniz, disse que a demora dos
processos se deve à estratégia da defesa de adiar os
julgamentos.
"O processo é absolutamente complexo
e mesmo assim já há uma condenação
unânime de um dos acusados. Só não há
outras condenações porque a defesa, percebendo que a
prova do processo é extremamente robusta, vem adotando
procedimentos para evitar que o processo corra de maneira adequada",
explicou.
Segundo Marcelo Muniz, cinco policiais militares
foram acusados por participação direta na chacina. Em
agosto do ano passado, o soldado da Polícia Militar Carlos
Jorge de Carvalho foi condenado a 543 anos de prisão. O
julgamento de José Augusto Felipe e Fabiano Gonçalves
Lopes, que estava marcado para 12 de fevereiro, foi adiado porque os
advogados dos réus desistiram de defendê-los. Um novo
julgamento foi marcado para 22 de maio. Já os advogados de
Julio César Amaral e Marcus Siqueira recorreram da decisão
que os submete a julgamento.
"A análise do
processo fica mais fácil agora [com a sentença
contra Carlos de Carvalho]”, disse o promotor Marcelo Muniz. “A
tese deles é absolutamente conflitante, cada um diz que estava
num lugar. Na medida que você prova que eles saíram
juntos do bar, com o depoimento das testemunhas, você quebra o
álibi deles. Se a condenação do primeiro foi
unânime, certamente a dos demais também deverá
ser."
Outros dois policiais militares foram indiciados
por formação de quadrilha. O cabo Gilmar Simão,
que aguardava o julgamento em liberdade, foi assassinado em outubro
de 2006 por ter colaborado com as investigações. O cabo
Ivonei de Souza, que também responde por formação
de quadrilha, entrou com um recurso contra a realização
do julgamento.
Segundo o promotor, a condenação
de Souza é importante porque comprovaria sua participação
em um grupo de extermínio, o que significaria que ele se
envolveu em outros homicídios. De acordo com Marcelo Muniz, a
prisão do grupo de policiais pode ter reduzido em 40% o número
de homicídios em Nova Iguaçu.
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