|
|
31 de Março de 2007 - 19h28 -
Última modificação
em 31 de Março de 2007 - 19h28
Biocombustível não vai prejudicar produção de alimentos, diz Lula
Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil
|
|




|
Ricardo Stuckert/PR
| |
Maryland (EUA) - Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush em Camp David, a casa de campo da Presidência dos EUA
|
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva
afirmou hoje (31), nos Estados Unidos, que o desenvolvimento de
biocombustíveis não prejudicará a produção
de alimentos no Brasil nem colocará em risco a biodiversidade
do país. Lula se reuniu com George W. Bush em Camp David, a
casa de campo dos presidentes dos Estados Unidos, no estado de
Maryland.
“O Brasil possui a maior e mais importante
biodiversidade do planeta. Temos consciência do valor que esse
patrimônio natural representa para o nosso país e para o
mundo. O Brasil, com 383 milhões de área agricultável,
pode conciliar a produção de alimentos, a produção
de biocombustíveis e a defesa de nossas florestas”,
enfatizou. “Nosso conhecido compromisso com o combate à fome
não nos permite que qualquer atividade venha prejudicar a
produção de alimentos”.
No início do
mês, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, criticou a
visita de Bush à América Latina – inclusive ao Brasil
– e afirmou que o plano de difundir o etanol é “irracional
e antiético”. “Pretender substituir a produção
de alimentos para animais e seres humanos pela produção
de alimentos para veículos para dar sustentação
ao american style of life é uma coisa de loucos”,
disse.
Outros assuntos tratados por Lula e Bush foram mudanças
climáticas, ajuda a países pobres, conflitos no Oriente
Médio e no Líbano, reforma das Nações
Unidas e entraves da Rodada Doha da Organização Mundial
do Comércio (OMC). Após o encontro, os presidentes
concederam coletiva à imprensa e revelaram detalhes da
reunião.
Os biocombustíveis mereceram atenção,
a exemplo do que ocorreu na visita de Bush ao Brasil. Na ocasião,
os dois países assinaram acordo de cooperação
para produção de etanol em outros países, com o
argumento de favorecer o desenvolvimento destes. Em Camp David, os
presidentes reafirmaram a importância da parceria. “Conversamos
sobre nossa determinação em aumentar a cooperação
nesse setor”, relatou o brasileiro.
Lula enfatizou que os
combustíveis renováveis são alternativa para
redução da emissão dos gases responsáveis
pelo aquecimento global. “Há 20 anos, quando fomos alertados
sobre os problemas que estávamos causando para o mundo,
começamos a botar a culpa um no outro”, disse Lula. “Chegou
a hora de todos os países do mundo pensarem seriamente sobre o
assunto das mudanças climáticas, porque agora a
humanidade está lidando com um dos maiores riscos da sua
história”.
O presidente também destacou o
potencial de geração de empregos da produção
de biocombustíveis. “A experiência que temos no Brasil
é que, para cada trabalhador que trabalha numa usina de
biodiesel, é preciso [ter] mil trabalhadores no campo.
Significa que nós poderemos gerar milhões de empregos
nos países mais pobres do mundo, o que não estava
previsto em nenhum documento assinado por nós no século
20”.
|
|
|
LEIA MAIS SOBRE OS ASSUNTOS
|
|