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Brasília - A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Vida e Contra
o Aborto vai pedir audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva
para questioná-lo sobre as declarações do ministro da Saúde, José
Gomes Temporão, favoráveis ao aborto. "Temos de saber do presidente se
essa é uma posição de governo ou uma posição isolada do ministro da
Saúde", disse o presidente da frente, deputado José Bassuma (PT-BA).
No último dia 28, Temporão discutiu com o governador do Rio de
Janeiro, Sérgio Cabral, a possibilidade
de legalização do aborto. Segundo o
ministro, a legalização possibilitaria a redução do número de mulheres
mortas em abortos feitos em clínicas clandestinas. Temporão também reafirmou a intenção de realizar um plebiscito para que a
população apresente sua opinião sobre o tema.
Os 175 deputados e senadores que fazem parte da
Frente ainda se mostraram contrários ao projeto aprovado no Senado na
semana passada, que prevê a realização de plebiscitos para vários
assuntos, entre eles, a legalização do aborto. Bassuma disse que, como
o direito à vida é uma cláusula pétrea da Constituição (que não pode ser alterada), não é possível
fazer plebiscito sobre o assunto. "Um plebiscito seria
inconstitucional, porque não se pode opinar sobre um assunto que o povo
já colocou como cláusula pétrea, que não pode ser mudada", disse.
De acordo com Bassuma, além da audiência com Lula, a frente deve pedir uma audiência com o Papa Bento
XVI, em sua visita ao Brasil em maio, e realizar em junho uma
passeata com movimentos sociais em Brasília para cobrar do governo
políticas públicas para evitar os abortos
clandestinos. Ele disse que é preciso haver outras formas de combater uma gravidez indesejada, como a prevenção por meio da pílula
anticoncepcional ou até uma política de adoção, para que as mães possam
dar seus bebês a outras famílias.
Atualmente, a lei brasileira permite o aborto em apenas dois casos: quando há estupro e quando há risco de morte para a mãe.
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