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Brasília - A
ausência do poder público é o fator determinante para
que as áreas com maiores índices de desmatamento sejam
também as regiões mais violentas da Amazônia
brasileira, na avaliação de André Lima,
coordenador do Programa de Política e Direito Socioambiental
do Instituto Socioambiental (Isa).
Segundo Lima, essa relação
é bastante evidente pois, nas áreas onde não
existe o controle do Estado, há uma ocupação
ilegal e, conseqüentemente, uma maior violência. “Essa
ausência não é só uma ausência
ostensiva, mas ausência em oferecer saídas e estratégias
de desenvolvimento que incorporem a população local e
que reorientem e ordenem o uso do território”, complementa.
O diretor do Instituto Socioambiental prevê que a questão
é tão complexa que não existe uma solução
a curto prazo para resolver o problema. Além das ações
localizadas, que, segundo ele, são importantes, é
necessário realizar estratégias como o uso racional das
florestas e a concessão de incentivos econômicos para
atividades consideradas sustentáveis. “Ou seja, tem que
entrar com a discussão, com a estratégia econômica,
e não ficar só na estratégia de comando e
controle de polícia, que tem que ser fortalecida, mas não
pode ser a única estratégia”, explica Lima.
A
promoção de assentamentos rurais sem oferecer a
estrutura necessária aos assentados também é um
fator que interliga a violência e o desmatamento, segundo André
Lima. “O estado assenta e não dá nenhuma condição
para que haja um desenvolvimento sustentável na região,
não tem segurança, não tem saúde, não
tem acesso à educação, uma série de
fatores que estão relacionados à pouca estrutura que o
Incra [Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária] e os órgãos estaduais que trabalham
com regularização fundiária têm para dar
essa segurança”, analisa.
Mais uma
causa da violência em regiões onde há
desmatamentos é a ocupação de terras públicas,
chamada de grilagem, que acontece, segundo André Lima, por
falta de opção econômica na região e
também pela ausência do poder público, tanto no
controle ambiental como na segurança pública. Segundo
ele, isso faz com que a sociedade local fique vulnerável às
pressões oportunistas, como a atividade madeireira clandestina
e a ocupação para gado e, com isso, vão sendo
abertas novas fronteiras.
André Lima cita como um exemplo de ação
governamental que está sendo realizada na região o
Distrito Florestal da BR-163, que promove o desenvolvimento
sustentável ao longo da rodovia. Segundo ele, como a região
é muito carente, a população local acaba sendo
expulsas da região. “Em muitos desses municípios em
que a situação de violência se cruza com a
situação de novos desmatamentos tem a ver com as novas
fronteiras onde o estado não está presente, ou está
de maneira ainda muito incipiente e a população local
acaba ficando vulnerável às pressões do
capitalismo predatório”, avalia o diretor do ISA.
O Isa é uma organização não governamental que mantém pesquisas e análises sobre a situação amazônica desde os anos 80.
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