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Brasília - De acordo com o
autor do Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros,
Julio Jacobo, a ausência do poder público
e apropriação ilegal de terras são as principais
causas da violência na região de desmatamento da
Amazônia brasileira. Jacobo afirma que existe, sim, uma coincidência
entre o arco do desflorestamento da Amazônia e o Mapa da
Violência, conforme mostra levantamento da Agência Brasil. “Dos 10 municípios mais violentos do Mapa
da Violência, cinco ficam na região do Arco do
Desflorestamento. Isso já é um bom indicador”, avalia
o pesquisador.
O
pesquisador explica que, ao fazer o estudo, a intenção
não era diagnosticar a situação de cada
município do país, mas apenas medir a violência
nas cidades. Entretanto, segundo ele, a partir da divulgação
dos dados, foram feitas diversas análises que apontam três
principais focos da violência no Brasil. O primeiro, nas
capitais e regiões metropolitanas está ligado à
exclusão social, que afeta principalmente a juventude do país.
Os outros dois focos, situados no interior dos estados, têm a
ver com a interiorização do desenvolvimento e com a
ausência do Estado. Segundo ele, em alguns municípios,
houve um crescimento econômico violento a partir da década
de 90, quando as indústrias começaram a se deslocar da
capital para o interior. Já nas cidades onde o desenvolvimento
econômico não é um fator predominante, a falta de
ação do poder público permite a atuação
de grupos econômicos ligados especialmente à grilagem de
terras e ao desflorestamento. Ele também alerta que, junto com
o desflorestamento, ocorre o trabalho escravo, com desrespeito
absoluto às normas trabalhistas de segurança.
Entre as saídas para resolver o problema, segundo Jacobo, está a
atuação dos municípios e da sociedade civil. “O
município tem que assumir que tem violência. Não
há cura se não há a consciência da
enfermidade. Isso não significa automaticamente chegar à
cura, mas é uma condição indispensável”,
afirma. Ele também acredita que a sociedade deve agir
demandando a presença do poder público e denunciando a
presença ilegal de madeireiras.
“Obviamente que há, nos próprios municípios,
setores cuja expansão econômica depende desses atos e
que não estão muito interessados em acabar com isso.
Mas a população não se beneficia em nada. Ao
contrário, é prejudicada pela violência imperante.
Então, ela deve se juntar, denunciar, solicitar a presença
do poder público, da força de segurança, do
Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis], para reprimir esse tipo de atividade”, conclui Jacobo.
Em
entrevista à Agência Brasil no dia 6 de março,
o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, contestou os dados do Mapa
da Violência, afirmando que a metodologia utilizada na pesquisa
não é correta. “Eles (OEI) partiram de bases irreais
para fazer a pesquisa, e ela infelizmente não está nos
ajudando em nada para tomar nenhuma providência. Na minha
avaliação, a pesquisa só denegriu a imagem do
Mato Grosso e do país”, afirmou o governador.
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