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17 de Abril de 2007 - 16h42 - Última modificação em 17 de Abril de 2007 - 17h01


Para representante da FAO, combate à pobreza rural é mais barato do que problema urbano

Kelly Oliveira
Repórter da Agência Brasil

 
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Gervásio Baptista/ABr
Brasília - O representante da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano, fala na abertura da conferência Pobreza Rural no Brasil: O Papel das Políticas Públicas
Brasília - O representante da FAO para América Latina e Caribe, José Graziano, fala na abertura da conferência Pobreza Rural no Brasil: O Papel das Políticas Públicas
Brasília - Erradicar a pobreza rural é mais barato do que eliminar a pobreza urbana. A afirmação foi feita hoje (17) pelo representante regional para América Latina e Caribe da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), José Graziano da Silva, na conferência Pobreza Rural no Brasil: O Papel das Políticas Públicas. Segundo ele, a eliminação da pobreza urbana é mais complexa, porque nas cidades, as estruturas familiares já estão rompidas, as pessoas têm habitações precárias, em favelas e com pouca urbanização. No caso da área rural, segundo Graziano, a dificuldade é de acesso à infra-estrutura, como luz e telefone.

“A pobreza rural é mais barata de erradicar. O problema é que [os moradores das áreas agrícolas] não têm expressão política. Estão escondidos. Os pobres urbanos são visíveis”, disse Graziano. Para o representante da FAO, as desigualdades de distribuição sociais não são exclusivas do Brasil, mas ocorrem em toda a América Latina. “É um continente que produz quatro vezes o necessário para alimentar a sua população. No entanto, temos 52 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema. Metade dessas pessoas estão em áreas rurais”, disse.

“Essa contradição se deve ao fato de que a América Latina é o continente campeão da desigualdade na distribuição da renda, da terra e sobretudo de acesso às políticas públicas, como educação, saúde, água”, acrescentou. O representante da FAO defende que seja dado apoio à agricultura familiar à criação de políticas específicas para as comunidades tradicionais, como de indígenas e quilombolas. “O Brasil lidera essa política de apoio à agricultura familiar na América Latina. E defendemos políticas específicas para grupos específicos, porque a população rural não é homogenia. Temos uma variedade enorme de atores sociais no meio com demanda e necessidades distintas. Não podemos ter uma única política”, concluiu.

O governo brasileiro estuda a criação de um programa para atender a população mais pobre das áreas rurais. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, a idéia é reunir programas de crédito, de saúde e educação para as regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A meta é alcançar, até 2010, 120 territórios mais carentes, que representam 90% de toda a pobreza rural.


 


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