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18 de Abril de 2007 - 00h30 -
Última modificação
em 18 de Abril de 2007 - 00h31
Com protestos e ocupações, MST exige aceleração da reforma agrária
Alessandra Bastos*
Repórter da Agência Brasil
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Elza Fiuza/ABr
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Brasília - Militantes do Movimento de Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) realizam mística durante audiência pública na Câmara Legislativa do Distrito Federal que marcou o Dia Internacional da Luta Camponesa
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Brasília - O Dia Internacional da
Luta Camponesa foi marcado, no Brasil, por ações do
Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e outros exigindo
agilidade do governo federal e Poder Judiciário na reforma
agrária. A data foi escolhida para lembrar o massacre de
Eldorado dos Carajás, ocorrido há onze anos. Na
ocasião, 19 agricultores foram mortos e 69 ficaram feridos em
um confronto com a polícia na região, que fica ao sul
do Pará (PA).
No Pará, várias reivindicações
foram entregues à governadora do estado, Ana Júlia
Carepa. O Diário Oficial do Pará publicou
decreto que prevê o pagamento de pensões vitalícias
e de indenizações aos sobreviventes do massacre, além
de assistência médica por tempo indeterminado.
Inicialmente 20 sobreviventes do conflito devem ser beneficiados. A
pensão poderá variar de um salário mínimo
a um salário e meio (R$ 380 a R$ 570, nos valores
atuais).
Dois policiais foram condenados pelas mortes em
Eldorado dos Carajás, mas estão em liberdade. Para
denunciar a impunidade, no Rio de Janeiro, aproximadamente 100
trabalhadores rurais fecharam, durante uma hora, trecho da Rodovia
Presidente Dutra. No Paraná, 25 praças de pedágio
foram ocupadas por cerca de 3 mil trabalhadores. Além de
cobrar punição, o estado teve outro alvo: mostrar que a
privatização das rodovias federais encarecem a
distribuição dos produtos agrícolas, um entrave
à pequena agricultura.
Nos demais estados, as manifestações
tiveram caráter local. No Maranhão, mil pessoas
ocuparam a ponte sobre o Rio Tocantins, no município de
Estreito, em protesto contra a instalação da Usina
Hidrelétrica de Estreito. Segundo o MST, com a usina, 8 mil
pessoas serão desalojadas.
Em Pernambuco, mais de 200 famílias
ocuparam duas fazendas. Uma delas de propriedade do deputado estadual
Ricardo Teobaldo (PMDB-PE). Em Goiás, outras três
fazendas foram ocupadas por mais de 600 famílias. Na Paraíba,
cerca de 600 famílias protestaram contra a monocultura no
estado. Uma vigília, com a participação de
aproximadamente 200 pessoas, marcou o protesto no Mato Grosso. Na
Bahia,
mais de 5 mil trabalhadores estão acampados em uma estação
de metrô no centro da cidade. O balanço dos protestos do
MST em todo o país foi divulgado pela assessoria de
comunicação do movimento.
Uma carta, protocolada no Palácio do
Planalto, apresentou as reivindicações dos movimentos
sociais. No texto, o MST afirma que "pouco ou nada foi feito
para uma verdadeira reforma agrária" no país. O movimento afirma
que faz um pedido semelhante ao que foi atendido aos
agroexportadores. Segundo a nota, o agronegócio recebe
"vultuosos" investimentos em crédito dos bancos
públicos e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES).
Eles pedem maior liberação de crédito
para a reforma agrária, agilidade na desapropriação
de fazendas e assistência técnica nos assentamentos. Também em Brasília, 800
trabalhadores ocuparam o prédio do do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou
documento em que denuncia a continuidade da violência na
reforma agrária. Segundo o balanço, no ano passado,
foram registradas 72 tentativas de assassinato, um aumento de 176,92%
em relação a 2005 (26 casos).
* Colaborou Isabela Vieira
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