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17 de Abril de 2007 - 19h47 -
Última modificação
em 17 de Abril de 2007 - 19h47
Na Praça Galdino, em Brasília, manifestação lembra índio assassinado há dez anos
Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil
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Marcello Casal Jr/ABr
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Brasília - Ato marca dez anos do assassinato do índio Galdino dos Santos, da etnia Pataxó Hãhãhãe. Manifestação também lembra mortos na luta pela terra e repudia a violência contra os povos indígenas. No local onde o pataxó foi morto foi erguido um monumento em sua homenagem
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Brasília - Cachimbos, chocalhos e cocares indígenas
reunidos em um ritual religioso marcaram hoje (17) os dez anos da
morte do índio pataxó hã-hã-hãe
Galdino Jesus dos Santos. A cerimônia foi realizada no memorial
construído em homenagem ao indígena, próximo à
parada de ônibus localizada na avenida na Asa Sul de Brasília
onde, em 1997, Galdino foi incendiado por jovens brasilienses
enquanto dormia.
Pajés de diversas tribos
indígenas organizados no Acampamento Terra Livre
participaram da cerimônia. Eles limparam o local, rezaram e
pintaram o monumento à Galdino, que estava coberto por
pichações. Acompanharam o ato público cerca de
350 indígenas que percorreram a Esplanda dos Ministérios
até o local do memorial. Muitos carregavam placas com nome de
familiares que morreram em conflitos pela terra em todo o país.
O
Conselho Indigenista Missionário (Cimi) revela que, desde
abril de 1997, mais de 250 índios foram assassinados em
disputas relacionadas à falta de recursos naturais ou
terra.
Na ocasião do assassinato, o índio
Galdino dos Santos veio à Brasília reivindicar a
anulação de títulos concedidos pelo governo à
fazendeiros do estado da Bahia, que na década de 60 ocuparam a
reserva do seu povo. Passados dez anos, um dos sobrinho do índio,
o jovem Hairã Nunes de Souza, disse que desde a morte do tio
pouca coisa mudou na situação do povo Pataxó.
“Continuamos querendo nossa terra. De lá tiramos nossa fonte
de vida. Queremos viver e morrer em paz, sem mais mortes”.
O
representante do Cimi na Bahia, Haroldo Heleno, explica que a disputa
entre índios e fazendeiros pelo território Hã-hã-hãe
têm ocasionado mortes na região desde a década de
80. “Quando o povo Pataxó retomou a luta pelo seu
território, 19 lideranças foram assassinadas. Isso
demonstra o grau de violência e desrespeito dos fazendeiros e
do governo, que se omite na função de proteger a
etnia”. De acordo com Heleno, os fazendeiros da região
utilizam a região para plantação de cacau e para
a pecuária.
O líder da etnia Pataxó
Hã-hã-hãe presente na manifestação
desta tarde, o cacique Pataxó Reginaldo Rodrigues, denuncia
que mortes e ameças acontecem com frequência na aldeia.
“Os fazendeiros sempre mandam pistoleiros para matar os índios.
Muitas vezes falam para gente sair, mas, como somos resistentes,
ficamos”. E acrescentou: “Nós morremos todos, mas não
saímos de lá”.
A reserva
Caramuru-Catarina-Paraguaçu se localiza a 250 quilômetros
de Salvador. Tem atualmente 54 mil hectares e é habitada por
cerca de 2,8 mil índios. Segundo informações do
Cimi, o processo de nulidade de títulos está há
24 anos sem julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
Como
parte das atividades do Acampamento Terra Livre, os índios
devem se reunir com a ministra presidente do STF, Ellen Gracie, na
quinta-feira (19), Dia do Índio. O objetivo é pedir
pressa nos julgamentos que envolvem territórios indígenas
em todo o país.
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Cerca de 800 índios participam, em Brasília, do Acampamento Terra Livre, na Esplanada dos Ministérios, parte do movimento Abril Indígena. O objetivo é cobrar soluções para os problemas que enfrentam, como a demarcação das terras
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