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20 de Abril de 2007 - 19h13 - Última modificação em 20 de Abril de 2007 - 19h14


Índios alertam que conhecimentos tradicionais podem se perder com desmatamento e ocupação de terras

Monique Maia
da Agência Brasil

 
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Brasília - O desmatamento de florestas dentro de reservas indígenas e a ocupação crescente de fazendeiros e agricultores nessas áreas têm contribuído para perda de conhecimentos tradicionais dos índios.

O uso de ervas e chás em várias etnias, por exemplo, ajuda no tratamento de doenças e até mesmo no planejamento familiar da comunidade. Com a dificuldade de acesso às plantas, eles têm buscado a medicina fora de suas tradições.

“Hoje em dia, aceitamos medicamentos da medicina branca porque algumas aldeias guarani têm pouca mata e faltam recursos para a produção dos remédios tradicionais”, diz um dos líderes guarani do estado de Santa Catarina Leonardo Werá-Tupã.

Ele explica que o preparo das ervas e dos chás é feito pelos pajés. Os conhecimentos milenares são secretos e repassados apenas para alguns membros da comunidade. De acordo com Werá-Tupã, existem remédios tradicionais tanto para ajudar como para evitar filhos.

“Na nossa cultura isso já é controlado. Existe o remédio para o desligamento, mas também existe para estimular a fertilidade tanto do homem quanto da mulher em até três vezes”.

Para Juarez Iaraté, da etnia Rikbaktsa do Mato Grosso, o ideal é que se estimule a natalidade para fortalecer os povos indígenas. “Na verdade, não gostamos de dar remédios para as nossas índias, porque em vez de a população aumentar, ela vai diminuir. Nós damos quando a pessoa tem alguma deficiência, não pode ter crianças e tem problema de saúde”.

Em uma das aldeias Caiowá do Mato Grosso do Sul, o planejamento familiar é encarado de outra forma. De acordo com uma das representantes da etnia Léia Aquino, existem remédios tradicionais para jovens e pessoas mais velhas evitarem filhos. Ela ressalta que chás e ervas também apresentam regras de uso.

“Se a jovem não quer ter filho futuramente, logo depois da primeira menstruação ela deve tomar esse remédio preparado pelos homens. Mas evitamos dar, a não ser que essa adolescente tenha problemas de saúde”.

Ela conta que a aldeia já recebeu acompanhamento de médicos da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) sobre planejamento familiar. O programa teve início em 2000 e atinge mais de 70 aldeias da região.

Segundo ela, medicamentos como o anticoncepcional são receitados nas aldeias, mas apenas para mulheres com muitos filhos e com problemas de saúde. Aquino conta que esses medicamentos só são aceitos por causa da derrubada das matas e da dificuldade de acesso às plantas.

“No Mato Grosso do Sul, por exemplo, existem lugares riquíssimos, só que não temos acesso porque os fazendeiros não permitem, somos barrados”.

De acordo com Lucidalva pataxó, uma das representantes da etnia aldeia Pataxó Hã-Hã-Hãe na Bahia, o mesmo ocorre na região, onde fazendeiros têm desmatado e queimado áreas de florestas dentro e fora da reserva indígena. “Estamos com dificuldades e precisando de mudas de árvores para tirar o nosso remédio e assim poder manter essa tradição”.

Ela diz que esse é um dos fatores da aproximação dos índios da medicina especializada, mas encara essa relação como positiva. “Vários índios já receberam atendimento médico nas aldeias e nos hospitais. Os médicos também têm sabedoria para poder vir para a aldeia e dar os remédios que são necessários”.







 


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