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Brasília - As cinco toneladas de
estrume produzido pelos cavalos do 1º Regimento de Cavalaria de
Guarda (RCG), em Brasília, têm um novo destino: gerar
energia e fertilizante. Foi inaugurada esta semana a Central de
Produção de Biogás a partir dos dejetos dos
cavalos. A central é formada por dois biodigestores, um
misturador e um motor que gera a energia elétrica.
O
gerador é movido a gás metano, o mesmo que compõe
o gás natural. Ele é liberado do estrume, depois de
este ser misturado a água, agitado até adquirir uma
consistência pastosa e ser armazenado nos biodigestores para
fermentar. Nesse processo, também é liberado um
líquido, que serve como fertilizante e pode ser usado nas
plantações e nos campos de pólo do
regimento.
Numa primeira fase do projeto, a expectativa é
que a energia gerada ilumine o regimento durante a noite. “Tendo em
vista a economia de luz a gente mantinha o mínimo necessário;
com isso eu posso manter todas as luzes acesas, aumentando a
segurança do regimento”, afirma o comandante, coronel Souto
Martins.
A economia na conta de energia pode chegar a até
20% dos R$ 16 mil que são gastos mensalmente na unidade. Numa
segunda etapa do programa, a produção de gás
pode abastecer o regimento também durante o dia, gerando uma
economia de luz maior. O coronel diz que existe a esperança de
o regimento, “no futuro, não precise de energia da CEB
(Companhia de Energia de Brasília)”.
O uso do biogás
liberado pelo estrume de animais nos biodigestores gera uma energia
limpa e renovável. A diretora do Departamento de
Desenvolvimento Energético do Ministério de Minas e
energia (MME), Laura Porto, ressalta que isso colabora para a redução
no lançamento de gases que causam efeito estufa (o metano é
um desses gases), além de evitar que o estrume contamine os
lençóis freáticos. Ela diz que “um projeto
desse está totalmente alinhado com os princípios do
desenvolvimento sustentável”. “A gente pensa que é
um projeto pequeno, de uso local, mas o efeito dele é global,
e é esse o conceito do desenvolvimento sustentável”,
acrescenta a diretora.
Esse tipo de trabalho não é
totalmente novo. Estados como o Paraná, o Tocantins e o Ceará
já utilizam biodigestores para produzir gás a partir de
excrementos de suínos, aves e caprinos. No entanto, essa é
a primeira vez que a tecnologia é adaptada para o estrume de
eqüinos.
O projeto dos biodigestores foi desenvolvido por
uma parceria entre o Ministério de Minas e Energia, o Exército
e o Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento (LACTEC), um
laboratório ligado à Universidade Federal do Paraná
(UFPR). Existe a expectativa, do ministério e do Exército, de que
essa experiência possa ser repetida em outros lugares. “Já
está tendo um efeito positivo, mas vai ter muito mais quando
for replicado em outras unidades do próprio exército ou
no Brasil inteiro”, afirma Laura Porto, do ministério.
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