|
Brasília - A aplicação efetiva do Decreto 6.040, de fevereiro deste ano, que prevê o acesso das
chamadas comunidades tradicionais a políticas públicas, depende da construção do Plano Nacional de Desenvolvimento, que está em discussão de hoje a quinta-feira, em Brasília.
“A gente vai ter que compatibilizar as diretrizes tiradas das oficinas
regionais que serão priorizadas nessa reunião com representantes da
sociedade e do governo e com as ações que já se encontram em curso.
Depois de feita essa compatibilização, certamente aparecerão lacunas, a
partir daí poderemos chegar a outras propostas que atendam os anseios
dessas comunidades”, disse o coordenador do Núcleo de Povos, Comunidades Tradicionais e Específicas, Aderval Costa Filho. O núcleo é ligado à Secretaria de Articulação Institucional e Parcerias
(SAIP) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDA). Costa explicou que o plano será a elaborado a partir de quatro eixos temáticos, acesso aos territórios
tradicionais e aos recursos naturais, infra-estrutura, fomento e
produção sustentável além de inclusão social. Esses temas foram
definidos em reuniões regionais realizadas em Belém (PA), Rio Branco
(AC), Curitiba (PR), Paulo Afonso (BA) e Cuiabá (MS). Ele destacou que a interlocução com essas
comunidades vem sendo efetiva, tanto que a proposta inicial para a
Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e
Comunidades Tradicionais foi elaborada em conjunto com a sociedade
civil através dessas oficinas. “Pois essas pessoas estão situadas em
localidades que excedem os limites dos municípios e via de regra os
programas sociais e ações de governo não levam em conta suas
especificidades regionais. O decreto abre precedentes para isso, ele
afirma que os programas sociais têm que ser adaptados às realidade
dessas pessoas”, disse Aderval Costa Filho. Ele
explicou que uma comunidade é caraterizada como tradicional levando-se
em conta a ligação dessas pessoas com o território que ocupam e o
parentesco entre as pessoas que moram nessas comunidades. Também o uso
racional dos bens naturais e atividades de subsistência servem para
determinar uma comunidade como sendo tradicional. Entre
essas comunidades, ele destacou os quilombolas, os caiçaras do Espírito
Santo, os seringueiros do Acre e as quebradeiras
de cocos, entre outras. A Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e
Comunidades Tradicionais foi aprovada depois de ouvidos 350 líderes dessas comunidades, contendo elementos regionais propostos por esses
representantes.
|