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Brasília - O presidente substituto
do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama), Márcio Freitas, reconheceu que o
órgão federal sofre pressão para acelerar o
licenciamento ambiental, mas disse que ela é saudável.
“Eu
diria que vivemos essa pressão e ela é salutar”,
disse Freitas, que substitui Marcus Barros à frente do Ibama.
Ele acrescentou que não cabe ao instituto questionar a
legislação ambiental, e sim cumpri-la. “É
preciso que toda a sociedade discuta esse processo para que nós
tenhamos um aperfeiçoamento da legislação
ambiental”, comentou.
Em entrevista à
Agência Brasil, Márcio Freitas disse que o
governo trabalha “exaustivamente” para capacitar as equipes de
licenciamento, e que o Ibama tem buscado aliar a sua capacidade de
resposta em conceder as licenças ambientais aos programas de
crescimento do país. Ele destacou que a alta diversidade
biológica e o baixo nível de conhecimento sobre
determinadas áreas e regiões torna mais complexo e
demorado o licenciamento de obras nesses locais.
"É preciso
que a gente tenha muito claro que o nível de informação
que nós detemos sobre o nosso ambiente e sobre as nossas
riquezas culturais é muito baixo, principalmente na região
Amazônica", comentou. “É muito mais difícil
estudar a implantação de um empreendimento na Amazônia
do que, por exemplo, no Sudeste ou no Sul.”
Em parecer
técnico divulgado ontem (23), o Ibama recomendou a não
emissão de licença prévia para a instalação
das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau, no rio
Madeira. De acordo com o documento, há um elevado grau de
incerteza envolvido no processo, principalmente porque o estudo sobre
os impactos ambientais não identificou todas as áreas
que serão afetadas pelas obras.
"A equipe técnica
concluiu não ser possível atestar a viabilidade
ambiental dos aproveitamentos hidrelétricos Santo Antônio
e Jirau, sendo imperiosa a realização de novo estudo de
impacto ambiental, mais abrangente, tanto em território
nacional como fronteiriços", diz o parecer do Ibama.
Dados do órgão indicam que a Bacia do Madeira cobre
aproximadamente um quarto da Amazônia brasileira e que nela
estão todas as vias navegáveis e cidades mais
importantes da Bolívia.
Ao ser perguntado se é
possível o Brasil aumentar seu potencial energético sem
comprometer o meio ambiente, o presidente substituto do Ibama disse
que é impossível gerar energia sem impactar a natureza.
"Nenhuma forma de geração de energia prescinde de
algum tipo de impacto ambiental. Então, a questão que
se coloca é qual é a viabilidade da geração
de energia, frente ao custo que essa energia implica. Seja do ponto
de vista ambiental, econômico ou social. Essa é uma
discussão que o país tem que fazer", defendeu.
Márcio Freitas destacou, no entanto, que o país pode
crescer e ainda assim manter a sua diversidade biológica. Para
ele, esse é o desafio da humanidade para o próximo
milênio: "Não é possível fazer
crescimento econômico ou social sem utilização
dos recursos naturais, por isso mesmo é que nós
precisamos ter o cuidado de preservar a fonte dessa riqueza".
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