Marcello Casal JR/ABr
|
|
Brasília - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, durante apresentação de relatório sobre mortes no trânsito no Brasil, parte da Semana Mundial das Nações Unidas de Segurança no Trânsito
|
Brasília - Os
acidentes de trânsito são hoje uma das principais
causas de morte no país. Segundo dados da pesquisa de
mortalidade por acidentes de transporte terrestre, divulgada hoje
(25) na Primeira Semana Mundial das Nações Unidas de
Segurança no Trânsito promovida pela Organização
Mundial de Saúde (OMS), 35 mil pessoas morreram em 2005 no
país. Desse total, 81,5% são do sexo
masculino e 18,5% do sexo feminino. De acordo com o levantamento,
metade das vítimas fatais são jovens.
Para os jovens
entrevistados, os acidentes de trânsito podem ser causados
pela alta velocidade, decorrente do uso de bebidas alcoólicas,
drogas e a busca de emoção da faixa etária de 16
a 25 anos de idade.
O ministro da Saúde,
José Gomes Temporão, alertou que o carro pode ser uma
arma, e que as pessoas precisam ter consciência. Para ele, os
acidentes e mortes no trânsito entre jovens, por exemplo, só
podem ser reduzidos com leis mais rígidas para a venda de bebidas
alcoólicas e alterações no enfoque das campanhas
de conscientização.
“Atualmente, bebidas
alcoólicas são vendidas em estradas, em postos de
gasolina. Temos que apertar a fiscalização em relação
aos jovens que bebem e depois dirigem. Nós temos que rever a
veiculação de propagandas de bebidas hoje, que é
um forte fator de estímulo ao consumo irresponsável.
Temos que ter medidas educacionais mais sérias. Temos que ter
a escola de maneira integrada com a família e nós temos
que ter uma abordagem que não é só do governo,
precisa da participação da sociedade, das entidades,
privadas, organizações não governamentais, pais
e famílias, defendeu.
No evento, realizado em
Brasília, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, se
emocionou ao lembrar a morte do filho em um acidente de trânsito.
E defendeu como essencial que medidas conjuntas sejam tomadas. “É um conjunto
de medidas. Tem que ter legislação adequada para exigir
do motorista uma ação, tem que ter pistas adequadas, ou
seja, não esburacadas, bem, sinalizadas, e você tem que
ter veículos em condições de trafegar”,
afirmou.
A
Primeira Semana Mundial das Nações Unidas de Segurança
no Trânsito vai até domingo com uma campanha
com o desafio de promover a paz no trânsito e lutar pela não
banalização de vida.
A Organização Mundial de Saúde
(OMS), promotora do evento, em parceria com a Organização Pan-Americana da
Saúde (OPAS), quer chamar atenção para o fato de
que a grande maioria dos acidentes de trânsito podem ser
evitados.
Para
conscientizar motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres que as
mortes podem ser reduzidas, o Ministério da Saúde vai
distribuir em todo o país folhetos com o tema "A vida no
trânsito: Sua atitude faz a diferença".
Segundo a pesquisa
realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea),
os acidentes ainda dão prejuízos aos cofres públicos.
Entre os anos de 2001 e 2003, os custos dos acidentes de trânsito
por perdas anuais chegaram a R$ 5,3 milhões. Em 2006, os
impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito
foram estimados em R$ 24,6 bilhões.