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26 de Abril de 2007 - 13h18 - Última modificação em 27 de Abril de 2007 - 16h34


Saiba quem é quem nas investigações da Operação Furacão

Sabrina Craide*
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O papel dos acusados de envolvimento com jogos ilícitos presos pela Operação Furacão está descrito no processo em curso na 6ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro. No documento, a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho explica que o trabalho começou em 2005, com o objetivo de aprofundar investigações sobre um esquema organizado de corrupção na Delegacia Fazendária da Polícia Federal do Rio de Janeiro.

Segundo a juíza, a operação logo percebeu a ligação de delegados e agentes federais com o esquema de casas de bingos e jogos ilícitos. “A Operação Furacão trouxe fortes indícios de que os denunciados operacionalizam sofisticada organização criminosa, com movimentação de elevadíssimas somas de dinheiro e infiltração nas mais altas esferas do aparelho estatal”, declara a juíza no processo. Atualmente, 29 pessoas são citadas nas investigações. Desse total, 23 estão presas, quatro foram libertadas e um está foragida. O ministro do STJ Paulo Medina foi denunciado, mas teve sua prisão negada.

A Operação Furacão desarticulou uma quadrilha de contraventores, delegados e magistrados acusados de crimes como corrupção, tráfico de influência e envolvimento com jogos ilegais. A investigação mostrou a relação entre bicheiros, a polícia e a Justiça no Rio de Janeiro. Além da prisão preventiva dos acusados, a Polícia Federal apreendeu dinheiro e artigos de luxo que estavam em posse dos suspeitos, como jóias, veículos importados, armas e munições.

Em 1993, a então juíza Denise Frossard, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, havia condenado por formação de quadrilha os contraventores Aniz Abraão Davi, o Anísio, Ailton Jorge Guimarães, o capitão Guimarães, José Petrus Kalil, o Turcão.  Eles foram condenados a seis anos de prisão, mas foram colocados em liberdad depois de cumprirem três anos da pena.

A Agência Brasil publica a seguir uma tabela para esclarecer as acusações. As informações são divulgadas agora, quase duas semanas depois da ação da Polícia Federal, porque os dados estavam sob sigilo de Justiça.

NOMEQUEM É
ACUSAÇÃOSITUAÇÃO
Ailton Guimarães Jorge, o Capitão GuimarãesDono de casa de bingo e presidente da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro
Seria um dos líderes da organização criminosa, e determinaria indiretamente os destinos do grupoPreso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Ana Claudia Rodrigues do Espírito Santo Secretária da Associação dos Administradores de Bingos e Similares do Estado do Rio de Janeiro (Aberj)Teria auxiliado o policial civil Marcos Bretas no repasse de proprinas a funcionários públicos cooptados pela organização criminosa
Preso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Aniz Abraão Davi, o Anisío
Dono de casa de bingo e presidente de honra da escola de samba Beija FlorSeria um dos líderes da organização criminosa, e determinaria indiretamente os destinos do grupoPreso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Antonio Petrus Kallil, o TurcãoDono de casa de bingo e de rede de hotéis e alimentos
Seria um dos líderes da organização criminosa, e determinaria indiretamente os destinos do grupoPreso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Belmiro Martins Ferreira Sócio da Betec Games, empresa especializada na importação de componentes eletrônicos utilizados nas máquinas de azar
Teria pago propina ao desembargador Carreira Alvin para liberar máquinas apreendidasPreso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Carlos Pereira da SilvaDelegado de Polícia Federal Teria sido cooptado pela quadrilha para fornecer mediante pagamento informações privilegiadas sobre operações de repressão aos jogos ilegaisPor ser funcionário público, tem prazo de 15 dias para apresentar defesa por escrito antes de prestar depoimento
Ernesto da Luz Pinto Dória Juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas (SP)
Teria recebido propina de policiais da organização criminosa para influenciar decisões judiciais
Foi solto após conseguir habeas corpus do STJ. Responderá às acusações no STF
Evandro da Fonseca Advogado e lobistaTeria aliciado servidores públicos por meio do pagamento de propina para obter facilidades em inquéritos
Preso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Francisco Martins da Silva Agente administrativo da Polícia Federal de NiteróiTeria sido cooptado pela quadrilha para fornecer mediante pagamento informações privilegiadas sobre operações de repressão aos jogos ilegaisPor ser funcionário público, tem prazo de 15 dias para apresentar defesa por escrito antes de prestar depoimento
Jaime Garcia DiasAdvogado e lobistaTeria aliciado servidores públicos por meio do pagamento de propina para obter facilidades em inquéritosPreso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
João Oliveira de FariasSócio da Scorpion Lan HouseAtuaria como operador da organização criminosa para pagar propinas. Teria tentado sacar às pressas R$ 1,250 milhão
Preso no Rio de Janeiro
João Sérgio Leal PereiraProcurador Regional da República Teria recebido proprina em troca de decisões judicais favoráveis à organização criminosaFoi solto após ter a prisão temporária revogada pelo STF. Responderá às acusações no STF
José Eduardo Carreira Alvim Desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª RegiãoTeria recebido, entre outras propinas, R$ 1 milhão para liberar 900 máquinas apreendidas, de propriedade de José Renato e Belmiro FerreiraFoi solto após ter a prisão temporária revogada pelo STF. Responderá às acusações no STF
José Luiz da Costa Rebello Gerente da casa de bingo IcaraíOperaria as decisões dos chefes da organização e também se beneficiaria do esquema. Gerente de bingo onde foram apreendidas máquinas que teriam sido recuperadas por decisões judiciais compradas
Preso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
José Renato Granado Ferreira Vice-presidente da Associação dos Administradores de Bingos e Similares do Estado do Rio de Janeiro (Aberj) e sócio da Betec Games Operaria as decisões dos chefes da organização e também se beneficiaria do esquema. Teria pago propina ao desembargador Carreira Alvin para liberar máquinas apreendidasPreso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
José Ricardo de Figueira Regueira Desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª RegiãoTambém teria recebido proprina em troca de decisões judicais favoráveis à organização criminosa
Foi solto após ter a prisão temporária revogada pelo STF. Responderá às acusações no STF
Julio Guimarães Sobreira Sobrinho do Capitão Guimarães, secretário-geral da Aberj, e sócio oculto do Barra BingoOperaria as decisões dos chefes da organização e também se beneficiaria do esquema.Preso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Laurentino Freire dos Santos Dono da casa de bingo IcaraíOperaria as decisões dos chefes da organização e também se beneficiaria do esquema. Dono de bingo onde foram apreendidas máquinas que teriam sido recuperadas por decisões judiciais compradas
Preso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Licinio Soares Bastos Dono da casa de bingo IcaraíOperaria as decisões dos chefes da organização e também se beneficiaria do esquema. Dono de bingo onde foram apreendidas máquinas que teriam sido recuperadas por decisões judiciais compradasPreso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Luiz Paulo Dias de MattosDelegado aposentado da Polícia FederalTeria sido cooptado pela quadrilha para fornecer mediante pagamento informações privilegiadas sobre operações de repressão aos jogos ilegaisPreso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Marcelo KalilFilho de Antônio Kalil, o Turcão, e dono da empresa Abraplay
Estaria ocupando o espaço de seu pai, como um dos líderes da organização. Teria pago propina de R$ 150 mil para o desembargador Carreira Alvim para liberar máquinas da empresa Abraplay
Teve prisão cautelar decretada, mas está foragido
Marcos Antônio dos Santos Bretas Policial civil
Teria repassado informações privilegiados à organização criminosa e sido responsável pelo pagamento de propinas a policiais e servidores públicos cooptados
Por ser funcionário público, tem prazo de 15 dias para apresentar defesa por escrito antes de prestar depoimento
Nagib Teixeira SauidSócio da casa Barra BingoAtuaria como operador da organização criminosa para pagar propinas. Teria tentado sacar às pressas R$ 500 mil
Preso no Rio de Janeiro
Paulo MedinaMinistro do Superior Tribunal de Justiça (STF)
Teria recebido proprina em troca de decisões judicais favoráveis à organização criminosaSeu pedido de prisão foi negado pelo STF, que preside parte do inquérito. Está de licença ao STJ por motivos médicos
Paulo Roberto Ferreira Lino Presidente da Associação dos Administradores de Bingos e Similares do Estado do Rio de Janeiro (Aberj)Operaria as decisões dos chefes da organização e também se beneficiaria do esquema.Preso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Sérgio Luzio Marques de Araújo AdvogadoTeria intermediado o pagamento de propina para o desembargador Carreira Alvim liberar máquinas de caça-níqueis. E também ao agente Francisco Martins em troca de informações sobre operações policiais
Preso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Silvério Néri Cabral Junior Advogado e genro do desembargador federal Carreira AlvimTeria intermediado o pagamento de propina ao desembargador Preso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio
Susie Pinheiro Dias de Mattos Delegada da Polícia FederalTeria sido cooptado pela quadrilha para fornecer mediante pagamento informações privilegiadas sobre operações de repressão aos jogos ilegaisPor ser funcionária pública, tem prazo de 15 dias para apresentar defesa por escrito antes de prestar depoimento (artigo 514 do Código de Processo Penal)
Virgilio de Oliveira Medina Lobista, advogado e irmão do ministro Paulo Medina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
Teria intermediado o pagamento de propina de R$ 600 mil ao seu irmão, ministro do STJ, para obter decisão favorável à organização criminosa
Preso pela Polícia Federal. Convocado para depoimento na 6ª Vara Federal do Rio





*Colaboraram Aécio Amado e Aloisio Milani
 

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