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Elza Fiúza/ABr
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Brasília - O presidente substituto do Ibama, Bazileu Alves Margarido Neto, durante a entrevista em que foi apresentado pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, como ocupante do cargo
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Brasília - O presidente substituto do Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),
Bazileu Alves Margarido Neto, disse hoje (3) que ainda não foi
decidido quando o órgão vai se posicionar em definitivo
sobre licença prévia para instalação das
hidrelétricas do Rio Madeira. “O esforço é
fazer no menor tempo possível”, afirmou, em audiência
pública Comissão da Amazônia, Integração
Nacional e de Desenvolvimento Regional da Câmara dos Deputados.
Ele disse que a
equipe de licenciamento está aprofundando a análise e
pedirá novos dados, para ter segurança e se manifestar:
“Esses questionamentos deverão ser encaminhados hoje para o
consórcio [formado por Furnas e Odebrecht, que elaboraram o
estudo impacto ambiental] para que possam então buscar
esclarecimentos sobre questões que foram apontadas no parecer
técnico divulgado, como dúvidas, como questões
que as informações constantes no processo, tanto no
estudo de impacto ambiental como nos estudos encaminhados pelo
Ministério Público com todas as manifestações
que foram aportadas ao processo”.
Com
relação ao acúmulo de sedimentos por causa
das barragens, Margarido Neto disse que o consultor Sultan Alan,
ouvido pelo Ministério de Minas e Energia, mostrou que o
problema estava
superdimensionado nos estudos feitos pelo consórcio
no que diz respeito ao lago da usina de Santo Antônio.
“A
primeira questão a ser verificada é se aquelas
condições são as mesmas para o lago de Jirau [a
outra usina projetada]”, comentou. “A segunda,
se aquelas condições apontadas possibilitam que se
trace um novo cenário com relação ao
assoreamento do rio, à deposição e o acúmulo
de segmentos. Então, os estudos apresentados pelo consórcio
precisam ser refeitos dentro desse novo cenário, tanto no que
se refere ao lago quanto ao que se refere a montante [rio
acima].”
Segundo ele, há consenso
no governo de que o país precisa gerar energia, com
distribuição de renda, mas sem esquecer a
sustentabilidade ambiental. “O governo federal, por determinação
do presidente Lula, não realizará nenhuma obra de
infra-estrutura em que não esteja assegurada capacidade de
suporte do meio”, afirmou.
As duas hidrelétricas que o governo federal
quer construir no rio, em Rondônia, têm potência
prevista de 6.450 megawatts no total – aproximadamente metade da
potência de Itaipu, a usina mais potente do país.
A
obra depende da concessão de licença prévia pelo
Ibama, que, em 23 de abril, publicou parecer técnico apontando
elevado grau de incerteza sobre os impactos da obra –
principalmente porque o estudo de impacto ambiental (EIA) não
teria identificado todas as áreas a ser afetadas – e pedindo
a elaboração de um novo EIA.
O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau,
chegou a afirmar, dois dias depois, que, se não for desfeito o
impasse em torno de Jirau e Santo Antônio, o governo buscará
outras fontes de energia: "Se, até maio, não
tivermos isso, certamente estaremos discutindo uma fonte térmica
para substituir a melhor fonte que temos, que é a hidráulica,
que entendemos, do ponto de vista econômico e ambiental, que
garante a segurança energética do país".
Matéria alterada para acréscimo de informações.
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