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Recife - O Laboratório Farmacêutico de
Pernambuco (Lafepe), iniciará, até o final deste ano, a
produção de 30 milhões de unidades do medicamento Efavirenz. O remédio é usado no tratamento da aids. A produção no Lafepe será viabilizada em parceria com o
Instituto de Tecnologia de Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz
(Fiocruz) do Rio de Janeiro.
Com a iniciativa, o remédio, atualmente
fabricado pelo laboratório multinacional Merck Sharp & Dohme, terá custo
reduzido em até 40%, segundo o diretor técnico do laboratório estatal de
Pernambuco, David Santana. O produto será distribuído pelo Ministério da Saúde para todo o país como parte do Programa Nacional de
Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids.
Para que o Lafepe pudesse
fabricar o Efavirenz, o Ministério da Saúde declarou o remédio de interesse público, primeiro passo para o licenciamento
compulsório da patente. O
procedimento, previsto na lei da propriedade industrial brasileira, é utilizado
por países desenvolvidos e em desenvolvimento nos casos de abuso do poder econômico do detentor da patente, emergência
nacional e interesse público, desde que as negociações com a empresa tenham
sido esgotadas.
"A medida não é uma quebra de patente é uma suspensão
compulsória”, explica o diretor do Lafepe. O governo federal gasta com a aquisição do
medicamento cerca de US$ 580 por paciente, a cada ano. Até que a produção nacional do Efavirenz seja regularizada, o Ministério da Saúde pretende importar o remédio,
na fórmula genérica, de laboratórios internacionais recomendados pela
Organização Mundial de Saúde (OMS).
O Lafepe produz, desde 1990, seis produtos para o Ministério da Saúde
destinados ao tratamento da aids. Entre eles estão Lamivudina, Zidovudina e
Estavudina. Outros laboratórios públicos do país, como
Farmanguinhos, do Rio de Janeiro, Funed, de Minas Gerais, Furpe, de São Paulo, e
Iquego, de Goiás, também produzem medicamentos
para tratar pacientes soropositivos.
Dados do Ministério da Saúde indicam que das cerca de 200 mil pessoas
que estão em tratamento da aids no país, 38% utilizam o medicamento importado Efavirenz.
Em Pernambuco, atualmente 4,4 mil pacientes soropositivos estão cadastrados para receber medicamentos
gratuitos anti-retrovirais e de combate às doenças oportunistas, como
tuberculose, fornecidos pelo Ministério da Saúde e governo estadual.
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