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5 de Maio de 2007 - 10h29 - Última modificação em 5 de Maio de 2007 - 10h29


Presidente da Cnen reafirma que energia nuclear é limpa, segura e confiável

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Odair Dias Gonçalves, voltou a defender a retomada da construção da usina nuclear de Angra 3, por gerar “uma energia limpa, que não contribui para o chamado efeito estufa na atmosfera”.

Ele defendeu ainda a “capacidade de armazenamento da energia nuclear, como nenhuma outra tem”. E argumentou que esse é o problema das energias alternativas de fontes eólica (dos ventos) e solar. “Não é possível armazenar energia a não ser em baterias. E essa é uma maneira muito ruim de armazenar a energia elétrica”, avaliou.

As duas usinas nucleares em operação no Brasil (Angra 1 e 2) têm capacidade instalada de 2.007 megawatts (MW) de energia. Com Angra 3, essa capacidade se elevará para 3.357 MW, de acordo com a estatal Eletronuclear, que cuida da construção e operação da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, localizada no município fluminense de Angra dos Reis.

As usinas de Angra 1 e 2 respondem por cerca de 60% do consumo de energia do Rio de Janeiro. Com a perspectiva de continuidade de Angra 3, “nós chegaríamos quase à auto-suficiência na região Sudeste, em particular no Rio de Janeiro”, afirmou Gonçalves. Essa perspectiva, acrescentou, é “bem avançada”.

A Comissão aguarda para este mês a realização da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que deve se pronunciar sobre a retomada do programa nuclear brasileiro, discutida há três anos no país, lembrou Gonçalves. A partir da aprovação pelo Conselho e pelo presidente da República, o assunto poderá ser submetido a discussão mais aberta com a sociedade, a fim de prestar esclarecimentos “e mostrar quão seguras e avançadas estão essas questões no Brasil”.

Na avaliação de Gonçalves, Angra 3 terá um conteúdo simbólico expressivo, porque poderá ser a primeira de uma série, e essa será “uma decisão corajosa” por parte do governo, que já vinha sendo aconselhada pela Cnen, órgão ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Ele lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria demonstrado, recentemente, sua posição favorável à energia nuclear. E informou que para a conclusão de Angra 3 são estimados investimentos de US$ 1,8 bilhão e um custo total de R$ 17 bilhões para colocar a unidade em funcionamento, levando a energia gerada aos consumidores.

Nesse valor está incluída a construção do reator e adaptação de toda a malha para mais 1.350 megawatts (MW) de energia, esclareceu. A expectativa é a de que, retomado o projeto de Angra 3 ainda neste ano, a usina poderá entrar em funcionamento em 2013. No momento, segundo o presidente da Cnen, não é possível construir reatores nucleares no país, mas ele lembrou que está sendo finalizada pela Marinha a construção de um reator para propulsão do submarino nuclear, que poderá ser adaptado para uma capacidade de até 300 MW.

A Cnen sugere equipamentos mais modernos, disse, mas “é possível, dentro desse contrato, conseguir índices de nacionalização até de 70%”. A idéia anterior da Comissão, explicou, era de investir em geradores pequenos, porém diante do cenário energético do país desenhado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do Ministério de Minas e Energia, Gonçalves afirmou ter ficado “evidente que nós precisaríamos, até 2030, de uma quantidade de megawatts que seria um pouco difícil de conseguir se fôssemos pensar em desenvolver os reatores pequenos”.



 


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