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Manaus - O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu, temporariamente, a retirada
dos arrozeiros da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. A
decisão foi divulgada na última sexta-feira (4), o que garante aos
não-índios o direito de permanecerem no local até o julgamento do mérito da ação
de desocupação da área, movida por proprietários de sete fazendas de
arroz na região.
Desde 2005, por meio de decreto do
presidente da República, a região da Raposa Serra do Sol é considerada
como reserva indígena. Pelo menos 18.700 indígenas das etnias Macuxi,
Wapixana, Ingarikó, Taurepang e Patamona vivem no local, que possui
1.747.464 hectares de terras.
De acordo com o o coordenador
executivo do Comitê Gestor da Presidência da República, José Nagib
Lima, a decisão do STF não impede a continuidade de retirada das outras
famílias que ainda estão na região. "Vamos continuar o trabalho de retomada dessa área indígena
normalmente. A decisão do Supremo não irá fazer com que os indígenas
sejam prejudicados em seus direitos", disse.
A direção da
Fundação Nacional do Índio (Funai) em Roraima informou que pelo menos
60 famílias não-indígenas ainda permanecem na região. O prazo final
para a saída dos não-índios da região havia encerrado no último dia 30
de abril.
Para a empresária e ex vice-presidente da Associação dos
Arrozeiros de Roraima Izabel Itikawa, a decisão do STF foi recebida
com muita alegria pelos arrozeiros que vivem na terra indígena Raposa
Serra do Sol. Para ela, essa decisão do STF é um
reconhecimento de que a atividade dos arrozeiros tem fundamental
importância para a economia local.
"Nós não estamos dizendo que não vamos sair da reserva
indígena, mas sim que queremos continuar com o direito de exercer nosso
trabalho em nossas terras. Reivindicamos que o governo federal e as
autoridades competentes entendam que hoje a rizicultura de Roraima é
responsável pela produção de 2,6 milhões de sacos de arroz ao ano e
pela geração de 8 mil empregos diretos e indiretos. A decisão de
permitir a continuidade do trabalho nessa área representa para nós um
reconhecimento de nosso trabalho e também a valorização que essa
atividade tem para a economia roraimense", afirmou.
Um dos problemas encontrados pelos arrozeiros que atuam na
reserva Raposa Serra do Sol é transferência de suas atividades para
áreas de tamanho e condições diferentes onde as plantações já são
realizadas. Izabel Itikawa explica que a propriedade que possui foi
herdada de pai para filho há quase 100 anos.
"O título definitivo da minha propriedade tem quase 100 anos.
Essas terras só foram adquiridas mediante às exigências cumpridas junto
ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e à Funai. O
problema é que agora o governo federal quer nos tirar daqui e nos
colocar em lugares para iniciarmos tudo do zero. Fizemos nossa parte
quando compramos nossas propriedades e agora não podemos ser
penalizados por uma decisão do governo federal tomada anos após a
realização de nossas produções", disse.
Esta semana, representantes da Associação dos Arrozeiros de
Roraima estarão em Brasília para tentar solucionar a questão com o
apoio do STF. A Funai informou também que o diretor do órgão em Roraima está na capital federal, onde deve tratar do assunto.
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