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10 de Maio de 2007 - 13h13 - Última modificação em 10 de Maio de 2007 - 16h40


Participação de mulheres e negros no mercado aumenta, mas continua desvantajosa

Irene Lôbo
Repórter da Agência Brasil

 
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Antonio Cruz/ABr
Brasília - A diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo, apresenta no auditório do TST o relatório
Brasília - A diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo, apresenta no auditório do TST o relatório "Igualdade no trabalho: enfrentando os desafios", que mostra novas formas de discriminação
Brasília - As taxas que medem a participação das mulheres no mercado de trabalho brasileiro mantiveram-se crescentes desde 2003, mas a participação feminina continua sendo menor do que a masculina. Em 2005, cerca de 85 milhões de pessoas tinham uma ocupação no Brasil e, destas, 42,2% eram mulheres. Desde 1995, a participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou num ritmo de 2,1% ao ano, crescendo mais do que a dos homens, que continuam ocupando a maior parte dos postos de trabalho.

Os dados fazem parte do segundo relatório sobre discriminação no mercado de trabalho, lançado hoje (10) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). O relatório mostra que há um aumento na ocupação das mulheres negras, que cresceu 40,8% nos últimos 10 anos, enquanto o crescimento das mulheres brancas ficou em 22,4%. A ocupação da população negra também apresentou um crescimento expressivo: 33,1% em comparação aos 15,1% de crescimento da população branca.

"Os últimos dados oficiais do Brasil têm apontado uma leve redução das desigualdades de gênero e raça em alguns aspectos do mercado de trabalho, como por exemplo a taxa de ocupação e os níveis de rendimento”, afirma Laís Abramo, diretora da OIT no Brasil. “O que está acontecendo é uma elevação da base salarial, onde predominam as mulheres e os negros.”

O relatório da OIT mostra que as diferenças no rendimento de mulheres e homens, brancos e negros diminuíram, mas ainda são grandes. Com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad 2005) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o documento compara o salário dos 50% mais pobres do mercado de trabalho nas categorias homem branco, mulher branca, homem negro e mulher negra. Ao comparar 1995 com 2005, observa-se que:
  • os homens brancos que ganhavam R$ 715 em 1995, tiveram seu ganho reduzido para R$ 632 em 2005, cerca de 12%;

  • as mulheres brancas que ganhavam R$ 447 em 1995, tiveram seu ganho aumentado para R$ 474 em 2005, cerca de 6%;

  • os homens negros que ganhavam R$ 402 em 1995, tiveram seu ganho aumentado para R$ 421 em 2005, cerca de 5%;

  • as mulheres negras que ganhavam R$ 223 em 1995, tiveram seu ganho aumentado para R$ 316 em 2005, cerca de 42%.


Em relação aos homens brancos, as mulheres brancas ganham 25% a menos; as mulheres negras, 50% a menos e os homens negros, 33% a menos. Em comparação ao que ganham as mulheres brancas, as negras recebem 33% menos.

O relatório da OIT afirma que a melhoria do salário para negros e mulheres se deve tanto pela recuperação do poder de compra do salário mínimo (97% desde 1995), como pela formalização dos postos de trabalho. Há ainda o impacto da elevação da escolaridade das mulheres, especialmente as negras, que ultrapassaram os homens com relação à média de anos de estudo.


 

 

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