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Brasília - A rede pública de televisão poderá ser um espaço
democrático para exibição de conteúdo audiovisual como filmes de
ficção, documentários, desenho animado e seriados feitos por
produtores independentes. A avaliação é do representante da Associação
Brasileira de Documentaristas (ABD), Mauro D'Addio, que participou do primeiro dia de discussões do Fórum Nacional de TVs Públicas.
Segundo D'Addio, apresentar conteúdo audiovisual,
feito por produtoras que não estejam ligadas a empresas, grupos
políticos e até mesmo à emissora de televisão que exibirá o produto, é
uma forma de incentivar a representação da diversidade cultural
brasileira e estimular a produção regional.
“Só exibindo produções que representem toda a
pluralidade da cultural brasileira, feitas nas diversas comunidades por
vários atores, a população poderá ser verdadeiramente representada nas
telas da televisão”, afirmou D'Addio acrescentando que isso não
acontece hoje em dia.
O Brasil tem uma grande capacidade criativa para
produzir conteúdo audiovisual, o que falta ao país é financiamento,
argumenta D'Addio. Na opinião dele, o dinheiro para essas iniciativas
pode vir da rede de televisões públicas. Em um dos painéis do Fórum
Nacional de TVs Públicas, o presidente da Associação Brasileira de
Emissoras Públicas, Culturais e Educativas (Abepec), Jorge da Cunha
Lima, propôs que 50% dos recursos das rede sejam
destinados à produção de conteúdos audiovisuais.
“Essa seria uma maneira de instrumentalizar as
produtoras para que, de maneira independente, possam realizar programas
próprios ”, afirmou D'Addio. Ele ponderou, no entanto, que ainda é
muito cedo para se ter uma noção da quantia a ser destinada à produção
audiovisual e que o valor pode ser insuficiente.
D'Addio sugeriu que o fundo de financiamento da rede
seja composto por recursos de diversas fontes “desde que a
produção não fique dependente da produção comercial”. Ele propôs que a rede não impeça a colaboração da
iniciativa privada, principalmente, por meio de mecanismos disponíveis, como e Lei Rouanet, que abate impostos de empresas
que patrocinam eventos culturais.
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