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Brasília - A Polícia
Federal (PF) de Mato Grosso enviou hoje (9) à Justiça
Federal de Sinop (MT) a conclusão do inquérito sobre a
colisão do jato Legacy com o Boeing da Gol, que matou 154
pessoas em setembro de 2006. A PF acusa os pilotos norte-americanos
do Legacy, Joe Lepore e Jan Paladino, homicídio culposo,
quando não há intenção de matar.
O
inquérito foi concluído ontem (8), após ouvir
mais de 22 pessoas, entre pilotos, controladores de vôo e
funcionários da Embraer, empresa que fabricou o Legacy. Agora,
cabe ao Ministério Público decidir se eles vão
ou não responder a processo criminal.
O relatório
final também sugere que o Comando da Aeronáutica
investigue se houve falhas por parte dos controladores de vôo
que trabalhavam no dia do acidente no Centro Integrado de Defesa e
Controle Aéreo de Brasília (Cindacta) 1. Somente a
Justiça Militar pode punir os profissionais caso fique
comprovada a responsabilidade deles no acidente.
O delegado
responsável pelo caso, Renato Sayão, concluiu que houve
desligamento involuntário do transponder (dispositivo
eletrônico que evita colisões entre aeronaves). Segundo
a assessoria, não há indícios de que os pilotos
do jato Legacy tenham desligado propositalmente o transponder
ou o rádio da aeronave. As gravações das
conversas entre os dois também ajudaram o delegado responsável
a afastar a hipótese de que o aparelho tenha sido desligado
voluntariamente.
Testes feitos nos Estados Unidos no TCAS
(sigla em inglês para Sistema de Alerta de Tráfego e
Evitador de Colisão), no transponder e no rádio
revelaram que eles não apresentavam nenhum defeito. Por isso,
a PF concluiu que teria bastado aos pilotos realizar qualquer um dos
procedimentos de segurança previstos para descobrir que eles
estavam desligados.
O exame da caixa-preta do jato revelou que
até após o choque entre as aeronaves, a tela do piloto
que fica no painel do avião, chamada MFD, e que exibe várias
informações, não exibia os dados do TCAS. Já
o MFD do co-piloto só foi acionado após ambas as
aeronaves trombarem em pleno ar.
Além disso, a PF
afirma que as normas de vôo estabelecem que os pilotos devem
questionar os controladores sempre que julgarem que uma orientação
não está correta. Pior isso, considera que os pilotos
do Legacy deveriam ter questionado a recomendação para
alterarem o plano de vôo inicial. Como o Controle de Espaço
Aéreo prestava apenas o serviço de vigilância
através do radar, a responsabilidade pela mudança de
nível permanecia dos pilotos.
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