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Brasília - A criação
de uma lei para regular as televisões públicas já
iniciou um debate sobre reformas em toda a legislação
sobre telecomunicações. A extensão dessa reforma
foi o principal ponto de debate do grupo de trabalho que traçou
propostas para o marco regulatório do modelo de TV pública
no Brasil, no Fórum Nacional de TVs Públicas.
Alguns participantes do
fórum defendem a elaboração de uma lei mínima
para regular a televisão pública, mas outros acreditam
que o momento atual é o melhor para uma reformulação
geral das leis e dos códigos sobre a radiodifusão.
Seria a hora, para eles, de enviar ao Congresso Nacional o projeto da
Lei de Comunicação Eletrônica de Massa, que
reformularia a legislação das rádios e
televisões do país.
Para o consultor
jurídico do Ministério das Comunicações,
Marcelo Bechara, o momento é ideal para que os parlamentares
discutam uma nova lei sobre a radiodifusão. "Todos
reconhecem que a regulamentação da rádio e da
televisão é confusa e está desatualizada",
diz. "Quando um assunto vira unanimidade, é porque
estamos atrasados."
Presidente da Comissão
de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informação
da Câmara dos Deputados, o deputado federal Julio Semeghini
(PSDB-SP) acredita que a nova televisão pública em
estudo pelo governo federal tornou ainda mais urgente a necessidade
de iniciar as discussões em torno da Lei de Comunicação
Eletrônica de Massa, em elaboração pelo
Ministério das Comunicações desde o final da
década passada, mas nunca enviado ao Congresso. "O Brasil
não pode deixar novas mídias surgirem sem dar
prioridade para a TV pública", compara.
Pesquisador do Núcleo
de Mídia e Política da Universidade de Brasília
(UnB), o professor Venício Lima também faz parte do
grupo de trabalho. Ele diz que a iniciativa da televisão
pública não pode estar desvinculada do novo marco
regulatório da comunicação de massa. Ele, no
entanto, avalia que a demora na elaboração de uma lei
geral para o rádio e a televisão no Brasil não
representa necessariamente um entrave para a TV pública. "Não
há tempo para aguardar uma lei geral, mas isso não
significa que possamos ignorar a necessidade de uma reforma no setor
a médio e longo prazo", ressalta.
Para o presidente do
Conselho Consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel), Luiz Fernando Linhares, não é hora de
discutir uma lei geral. A inclusão da televisão pública
na Lei de Comunicação Eletrônica de Massa,
afirma, seria uma atraso, pois geraria um enorme debate que não
terminaria em curto prazo. "Uma nova lei geral sobre a
radiodifusão seria quase uma miniconstituinte", compara.
Segundo Linhares, a
definição de parâmetros para a comunicação
eletrônica é complexa, principalmente com o surgimento
de novas mídias. "Até por mexer com os interesses
das emissoras privadas e por causa das inovações
trazidas pelos celulares e pela internet, esse projeto dificilmente
tramitaria com a rapidez necessária", afirma.
Linhares sugere que o
governo envie ao Congresso uma lei mínima com o formato da
televisão pública, que teria autonomia em relação
ao governo federal e dos estados e contaria com a participação
da sociedade na gestão e na produção de
programas. "O restante a gente pode deixar para ser incluído
nos diversos projetos já em tramitação na Câmara
e no Senado", explica.
Desde 1998, o
anteprojeto da Lei de Comunicação Eletrônica de
Massa, que se encarregaria de regular a rádio e a televisão
aberta e por assinatura no Brasil, está em elaboração
pelo Ministério das Comunicações. Ao longo dos
últimos anos, por várias vezes, as discussões
foram interrompidas e retomadas.
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