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14 de Maio de 2007 - 14h38 - Última modificação em 14 de Maio de 2007 - 18h20


Projeto de inclusão digital deve conectar 15 quilombos de sete estados até julho

Antônio Arrais
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - As comunidades quilombolas relembram esta semana a abolição oficial da escravidão no Brasil. Passados 119 anos, os descendentes de africanos querem reconhecimento e regularização de terras tradicionais, mas também buscam formas de comunicar-se diretamente com o mundo, sem intermediários.

Até julho, em parceria com o governo, os quilombolas esperam concluir um programa de inclusão digital iniciado em 2003. Segundo o diretor da Casa de Cultura Tainã, em Campinas (SP), Antonio Carlos Silva, estão previstos pontos de comunicação em 15 quilombos situados em áreas isoladas de sete estados. Outros doze pontos devem funcionar em comunidades urbanas.

O programa de inclusão digital de comunidades quilombolas surgiu a partir de um convênio com o Ministério das Comunicações. O governo tem investido entre R$ 200 mil a R$ 300 mil anuais para a instalação dos pontos, que permitem uma série de formas de comunicação, como rádio, telefonia fixa (por meio de "orelhões") e computadores. Dos 15 quilombos incluídos no programa, sete ainda não finalizaram as instalações, segundo o diretor da Casa Tainã.

Para ter acesso a computadores, as comunidades quilombolas contam com o auxílio de entidades públicas, como o Banco do Brasil, que faz a doação de unidades superadas tecnologicamente devido a novas aquisições. As máquinas são submetidas a uma revisão geral por especialistas de modo a torná-las mais potentes e úteis.

Cada comunidade conta um servidor e mais dez computadores, que são usados pelos quilombolas a partir dos dez anos de idade. Considerando a população das 15 comunidades quilombolas e dos doze pontos culturais, cerca de 10 mil pessoas  devem ser incluídas digitalmente.

"Esse processo tem, até mesmo, um sentido de segurança para muitas das comunidades quilombolas, devido à situação de completo isolamento em que vivem. Em muitas dessas comunidades só resta disponível, às vezes, apenas um orelhão para comunicação com o mundo exterior", conta Antonio Carlos Silva, mais conhecido como TC.

"Em muitas situações, como ocorre no Vale do Ribeira, em São Paulo, há ameaças contra a existência da comunidade ali, onde se pretende construir uma represa, ou no litoral norte do estado, onde a especulação imobiliária luta para tirar a comunidade quilombola da região, para atender às pressões de construção de novos condomínios de luxo."



 

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