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Marcello Casal Jr/ABr
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Brasília - Eridinalva Souza Lopes mora na Estrutural (DF) com seis filhos. A família passa o Dia das Mães na igreja para aproveitar o bolo feito pelo pastor. Pesquisas mostram a dificuldade enfrentada por mulheres negras para garantir o sustento dos filhos no Brasil
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Brasília - Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo mostram que a participação e remuneração das mulheres negras no mercado de trabalho brasileiro continua preocupante. No Dia das Mães, muitas trabalhadoras não tem sequer condições de garantir o almoço em família.
No bairro com a maior população negra do Distrito Federal, em termos proprocionais, as mães buscam as igrejas e as associações comunitárias para ter um domingo mais farto com os filhos. De acordo com pesquisa realizada por Marcel Cláudio Sant’Ana, mestre em Planejamento Urbano pela Universidade de Brasília (UnB), a Estrutural tem 66% de moradores negros (pretos e pardos).
Eridinalva Souza Lopes, 33 anos, mora na "vila" com seis filhos. Desempregada, tem renda familiar de R$ 130, conseguidos por meio de trabalhos domésticos. O marido abandonou a família há três anos. Eridinalva e os filhos vivem hoje num barraco de madeirite de não mais de 30 metros quadrados, com cozinha, banheiro e dois quartos, sem qualquer porta em seu interior. É na igreja evangélica do bairro que eles vão comemorar o Dia das Mães.
"É um dia muito especial e, quando dá, a gente prepara um bolinho e umas lembrancinhas para as mães lá na igreja. Eu acho que vai ter bolinho este ano porque o pastor é padeiro. Ele disse que vai preparar um bolo para a festa ficar melhor e todo mundo vai compartilhar", espera Eridinalva.
As filhas, entretanto, prometem algo mais para a mãe, mesmo sem terem tomado o café da manhã de sábado. Como "é surpresa", Aniele, a mais velha com 14 anos, recusou-se a revelar o que darão a Eridinalva neste domingo: " Vamos dar um presente básico, simples, mas pelo menos nós vamos dar."
Relatório divulgado há três dias pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que a participação e a remuneração das mulheres no mercado de trabalho brasileiro melhorou, mas continua preocupante. As mulheres negras seguem recebendo 50% a menos que os homens brancos. Em comparação ao que ganham as mulheres brancas, as negras recebem 33% menos.
Em 2005 apenas 25% das trabalhadoras domésticas (1,56 milhão) tinham carteira assinada. As empregadas domésticas brancas com carteira assinada somavam 29,9%, enquanto que as negras, 23,4%. De acordo com a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados de São Paulo, as mulheres negras ganham, na indústria e no setor de serviços, 58,1% e 54,8%, respectivamente, do recebido pelas não-negras.
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