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15 de Maio de 2007 - 19h30 - Última modificação em 15 de Maio de 2007 - 20h13


Pesquisa revela situação nutricional grave entre crianças quilombolas

Gláucia Gomes
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) divulgou hoje (15) a pesquisa “Chamada Nutricional Quilombola”. O estudo foi realizado com 2,9 mil crianças menores de cinco anos, que vivem em 60 comunidades quilombolas de 22 estados. O pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) José Augusto Taddei, que participou do levantamento, destaca que entre as crianças sobreviventes, de 0 a 5 anos, de populações quilombolas no território nacional, uma em cada dez é um anão nutricional, ou seja, tem um déficit de estatura extremamente grave.

"Isso representa que essa criança não teve condições mínimas de vida para desenvolver seu potencial genético de estatura”, afirma Taddei. Segundo ele, o estudo mostra que as formas crônicas de desnutrição, identificadas pelo registro de déficits de crescimento (baixa altura para a idade), foram verificadas em 11,6% das crianças pesquisadas. De acordo com o relatório do MDS, do ponto de vista da nutrição de menores de 5 anos, fica estabelecido que as crianças quilombolas forma um grupo com altos riscos de desnutrição, "igualando-se às crianças do Nordeste urbano de uma década atrás".

“Não existe nenhuma caixa preta, é uma questão de colocar recursos, criar infra-estrutura, capacitar recursos humanos e principalmente buscar a colaboração e a competência dessas comunidades, para que se tornem gestoras da sua própria realidade”, recomendou o pesquisar da Unifesp. Taddei acrescentou que é preciso repetir a pesquisa periodicamente e integrar esses dados com as ações desenvolvidas pelo governo, “de tal forma que se consiga mudar progressivamente essa situação muito ruim de condição de vida da população quilombola”.

Ainda de acordo com o estudo do MDS, apenas 30% das famílias quilombolas dispõem de abastecimento de água pela rede pública. O resto consegue água por meio de nascentes, poços, açudes, entre outros recursos. A situação do esgotamento sanitário é pior: somente 3,2% das famílias quilombolas avaliadas pelo governo possui ligação com a rede de tratamento de esgoto.


 

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