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Brasília - Representantes
de comunidades quilombolas, do Instituto Nacional da Colonização
e Reforma Agrária (Incra), da Secretaria Especial de Promoção
da Igualdade Racial e de outros órgãos do governo discutiram nesta quinta-feira (17) a regularização de terras
quilombolas.
Segundo o coordenador geral de Regularização de Territórios
Quilombolas do Incra, Rui Leandro Silva, a comunidade de Marambaia (RJ) está entre elas. “A
comunidade tem um pleito de regularizar a ilha de Marambaia, mas o governo também tem um projeto lá, da Marinha, para quem essa área é estratégica e de interesse para a
segurança nacional. Nessa área está localizado o único centro de treinamento da Marinha", disse.
O papel do Incra em casos como esse, acrescentou, é o de
fazer a regularização com base em uma negociação
“que saia bem para as comunidades quilombolas, mas que o interesse
do Estado brasileiro seja de alguma forma contemplado”.
Em março deste ano, a Justiça Federal do Rio determinou que Incra finalizasse o relatório sobre a
identificação da ilha de Marambaia e, se fosse o caso, promovesse em um ano a
titulação das 90 famílias quilombolas que moram no local. Caso isso não
ocorra, a decisão prevê multa de R$ 100 mil por mês ao Incra.
Presente à reunião de ontem, a
representante da comunidade, Vera Guerra, disse que entre os problemas enfrentados está a dependência da Marinha para deixar a ilha, porque não existem
embarcações para atender à comunidade. “Se uma
pessoa vai vacinar o filho, por exemplo, ela tem que sair às
6 horas [quando sai o barco da Marinha] e às 8 horas a criança já está vacinada,
mas ela só pode voltar às 18 horas, quando o barco da Marinha volta para a ilha", informou.
Segundo Vânia
Guerra, as 600 pessoas que vivem na comunidade sobrevivem da
pesca e de agricultura de subsistência. Quando tiverem a posse da terra, acrescentou, elas colocarão em prática um plano de turismo étnico, pois nas terras ainda há ruínas do quilombo.
“Queremos
conservar nossas terras porque sabemos que o turismo desgovernado vai
destruir tudo e não é isso que a gente quer. Queremos
que as coisas sejam bem controladas, nós queremos realmente
manter o aspecto físico do quilombo”, explicou. Outras
comunidades que tiveram seus casos discutidos, foram as de Alcântara
(MA), Morro Alto (RS), Machadinho (MG) e Santo Antônio do
Guaporé (RO).
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