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Brasília - O parto por cesariana de mulheres indígenas
motivou o povo da etnia Xavante a elaborar o livro Ai´Utedzapari´Wa
Nõri Parteiras A´Uwê Xavante (aquela que
recebe a criança) que reúne o conhecimento tradicional
do povo Xavante e o registro cuidadoso de suas técnicas
medicinais, alimentícias e ritualísticas.
O livro será lançado no Primeiro
Encontro Parteiras Xavante, de 21 a 24 de maio, em Brasília. O
evento será realizado pela Associação Xavante
Warã, em parceria com a Coordenação Geral de
Educação da Fundação Nacional do Índio
(CGE-Funai), Área de Medicina Tradicional Indígena –
Projeto Vigisus II - Funasa e Instituto Sociedade População
e Natureza (ISPN).
De acordo com o representantes da Associação
Xavante Warã, Hiparidi Top'tiro, o livro pretende
ajudar na construção de politicas públicas
voltadas para a saúde indígena. “É preciso
construir políticas conforme a nossa realidade e com a nossa
participação”, defende.
Top'tiro, que também coordena o projeto
Valorização das Práticas de Parto Tradicional:
Dieta Alimentar e Medicinal na Gestação e Parto,
reuniu todas as informações para a elaboração
do material. Segundo ele, o número de cesarianas triplicou
entre as mulheres xavante. “Isso tira o valor das parteiras, que
em vez de praticarem o seu conhecimento estão sendo deixadas
de lado”, adverte.
O índio Xavante aponta o livro como ponto
de partida para o desenvolvimento de políticas públicas,
mas reconhece que existe o risco em relação à
patentes e à perda de tradições. “Sabemos que
divulgando os nossos conhecimentos, existe um ganho e uma perda. A
perda maior vai ser que os conhecimentos se enfraquecerão, se
tornarão um conhecimento comum, e por conta disso haverá
perda da questão espiritual, mas o resultado positivo será
a politica pública”.
O presidente interino da Fundação
Nacional do Índio (Funai) e diretor de Assistência
Social da fundação, Aloísio Antônio
Castelo, disse que a apresentação desses conhecimentos
é importante para ajudar a combater o preconceito da sociedade
em relação aos povos indígenas.
“Precisamos mostrar que esses povos são
ricos culturalmente e precisam ser respeitados”.
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