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Rio de Janeiro - Movimentos sociais e sindicais de cerca de 20 segmentos – servidores federais da Cultura, Ciência e Tecnologia, Educação e Saúde, entre outros, além de representas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) – marcaram hoje (23) o Dia Nacional de Mobilização com uma série de manifestações de protesto contra as medidas previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e algumas das reformas promovidas pelo governo federal.
Durante a manhã, professores,
alunos e pais participaram de manifestação em frente à sede
administrativa da Prefeitura, no centro da cidade, contra a Resolução
946, que prevê aprovação automática dos estudantes no município. Outra mobilização ocorreu na estação ferroviária da Central do Brasil, onde funcionários da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) pediram melhores
condições de atendimento à população.
Ainda no centro da cidade, no início da tarde, mais de 2 mil pessoas de diferentes setores sociais – segundo estimativa da Polícia Militar – reuniram-se para criticar a política econômica do governo e para cobrar direitos trabalhistas, como explicou o coordenador do Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Rio de Janeiro (Sintrasef-RJ), Vitor Madeira.
"O
motivo dessa passeata é o início da luta contra as reformas do governo
Lula, como a previdenciária, que aumenta o tempo de serviço para
aposentadoria, e a trabalhista, que tira o direito de greve, com a Emenda 3. E contra o PAC, que traz um projeto de congelamento do salário dos servidores federais por dez anos", disse Madeira.
O
funcionário Silvio Oliveira, da Funarte, afirmou ter participado da manifestação "com o intuito de
somar, mostrar que nossa luta tem especificidade do Ministério da
Cultura, mas não pode ser entendida fora do contexto mais amplo dos
problemas terríveis por que vem passando o servidor público
federal".
Ele usava uma fantasia de elefante e explicou: "A gente avalia que o PAC acelera o crescimento da elite e por isso inventamos o 'PACderme', para mostrar o peso desse plano e a maneira como foi imposto, sem negociação com a sociedade".
A
servidora Eliane Preus, do posto de atendimento em Bangu, informou que houve paralisação em cerca de dez unidades de saúde no município. "A parada foi de 24 horas, mas nós não temos mais condições de trabalho para atender a população", afirmou a também diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e
Previdência Social no Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev-RJ).
Já o professor Júlio César, da Universidade do Rio de Janeiro (UniRio), destacou o protesto diante de prédios de instituições como a Caixa Econômica Federal, a Biblioteca
Nacional, a Justiça Federal, o Ministério da
Fazenda: "Elas serão mobilizadas para fazer as reformas do governo e essa é uma forma de simbolizar o nosso
desagrado".
Participaram
da manifestação universitários, representantes sindicais, aposentados e
até crianças. Bruno Costa, de 12 anos, que mora desde 2003 no acampamento Terra Prometida, do MST, na Baixada Fluminense, contou que ainda é pré-assentado: "A gente está lutando é pela nossa terra".
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