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23 de Maio de 2007 - 16h45 - Última modificação em 23 de Maio de 2007 - 17h19


Telecentro acessível facilita busca por emprego entre pessoas com deficiência

Juliana Andrade
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - Um projeto piloto de inclusão digital implementado há um ano no Distrito Federal está ajudando pessoas com deficiência a conseguir uma vaga no mercado de trabalho. O Telecentro Acessível, instalado em Taguatinga, foi projetado para que equipamentos de informática, softwares e todo o ambiente físico do local não oferecessem nenhum tipo de barreira aos deficientes físicos e mentais, que usam a internet para consultar bancos de dados de empregos e enviar currículos.

O projeto é uma iniciativa da organização sem fins lucrativos Acessibilidade Brasil e do Ministério do Trabalho e Emprego, com apoio do Ministério de Ciência e Tecnologia. Os resultados da experiência e a metodologia usada para a inclusão digital das pessoas com deficiência foram apresentados num seminário que começou hoje (23) e termina amanhã no Senado Federal.

Segundo a coordenadora geral de Qualificação do Ministério do Trabalho, Tatiana Scalco Silveira, dos mais de 12 mil usuários que freqüentaram o telecentro desde que o espaço foi inaugurado, 4 mil apresentam algum tipo de deficiência. Ela não soube informar o número de pessoas que conseguiram uma oportunidade de emprego, mas disse que o resultado é expressivo.

“Dependendo do tamanho da empresa, há uma cota mínima de postos de trabalho para deficientes e eles normalmente têm muita dificuldade de acesso a essa informação, então com essa possibilidade [do Telecentro Acessível] houve uma comunicação muito mais fluida, que teve resultados efetivos”, destacou.

Oderlan Monteiro da Silva, de 33 anos, está entre os deficientes físicos que conseguiram uma ocupação depois de começar a freqüentar o telecentro. Ele disse que descobriu ter vocação para fotógrafo e que já conseguiu formar uma clientela. “Agora eu quero me aperfeiçoar cada vez mais. Achei a oportunidade muito importante para mim, porque era o que eu estava procurando”, contou.

Para a representante da Coordenadoria Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (Corde), da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Carolina Sanchez, é preciso investir mais em iniciativas como o Telecentro Acessível, capazes de aumentar a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.

“Elas aumentam as chances, porque à medida que as pessoas começam a saber onde procurar emprego, elas começam a mandar seus currículos, criam seus e-mails gratuitos e começam a participar de processos seletivos para entrar no mercado de trabalho.”

A coordenadora geral de Qualificação do Ministério do Trabalho, disse que o governo federal estuda a possibilidade aproveitar a experiência para, gradativamente, adaptar os cerca de 3 mil telecentros existentes no país às necessidades das pessoas com deficiência. “Eu entendo que isso já está em pauta”.

Uma das mudanças necessárias seria a capacitação de atendentes dos telecentros. Segundo dados do Censo 2000 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 14,5% da população brasileira apresentavam algum tipo de incapacidade ou deficiência.

O presidente da Acessibilidade Brasil, Guilherme Lira, afirma que a maior parte das pessoas com deficiência é de baixa renda. “É uma população duplamente excluída, que não tem acesso a computador e muitas vezes, à informação”, ressaltou.

Lira também destacou que, além de usar a internet para conseguir um emprego, elas têm acesso à informação, à cultura, ao lazer e à pesquisa. “O telecentro, como a escola e como as bibliotecas públicas, fazem parte de um tripé de apoio às pessoas que hoje não têm recursos para comprar um computador.”

Sem mencionar valores, ele disse que o custo para construir um telecentro nos moldes do projeto piloto é baixo, principalmente porque os programas de computador são software livre e podem ser baixados de graça na internet.  Ele citou o exemplo do programa leitor de tela, usado por pessoas cegas, que está disponível no site da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“O programa lê o que está no monitor, pode ser na internet, pode ser algum texto. Então, permite que a pessoa cega possa navegar na internet perfeitamente, e o recurso é grátis, o computador só precisa ter som”. Outra tecnologia disponível é um programa de comando de voz, que permite pessoas com mãos amputadas utilizar o computador.



 

 

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