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24 de Maio de 2007 - 16h03 - Última modificação em 24 de Maio de 2007 - 17h00


Pesquisador diz que taxa de desemprego de 10,1% frustra expectativa do cenário econômico positivo

Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - A taxa de desemprego ficou estável nas seis principais regiões metropolitanas do país no mês de abril, atingindo 10,1% da população economicamente ativa. O número, divulgado hoje (24) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi o mesmo apurado em março e ficou pouco abaixo dos 10,4% registrados em abril do ano passado.

Os resultados da Pesquisa Mensal de Emprego apontaram estabilidade no mercado de trabalho de março para abril, repetindo o número de pessoas ocupadas (20,5 milhões) e o contingente de trabalhadores que está procurando emprego (2,3 milhões).

Praticamente também não houve alteração no rendimento médio da população ocupada, avaliado em R$ 1.114, contra os R$ 1.111,11 verificados no mês de março. A manutenção na renda média não ocorreu, no entanto, para todos os tipos de trabalhadores.

Enquanto para os empregados com carteira assinada o rendimento aumentou cerca de 1,8%, refletindo o reajuste no salário mínimo nacional, os trabalhadores por conta própria tiveram redução de 2,7% nos seus ganhos e os sem carteira assinada, tiveram perdas de 1,5% no poder de compra.

Para o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, o quadro de estabilidade frustrou expectativas de redução do desemprego que vinham sendo geradas por causa do cenário econômico positivo, com redução da taxa de juros, câmbio favorável e o lançamento do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC).

“O cenário econômico não se aqueceu o suficiente para movimentar o mercado de trabalho, para reduzir a taxa de desocupação, que hoje está em dois dígitos. O ano está frio, não aconteceu ainda o esperado ponto de inflexão. Toda a melhora anunciada no cenário econômico não se refletiu no mercado do trabalho em termos de geração de vagas”, avaliou.

Azeredo ressaltou o fato de não ter sido registrado aumento na média dos rendimentos, mesmo com o reajuste do salário mínimo. ”A expectativa era que o aumento do salário mínimo fosse apresentar reflexos no rendimento da população ocupada, até mesmo para os trabalhadores sem carteira assinada e isso não ocorreu. Os empregados sem carteira, que são aqueles com rendimento mais baixo, tiveram até queda no rendimento em relação à março”.

Azeredo destacou que no caso da região metropolitana de São Paulo, maior responsável pela continuidade de desemprego no país, com taxa regional de 11,6% em abril, existe inclusive uma tendência de alta no desemprego. “São Paulo não gera postos de trabalho, a desocupação observada em março insiste. E isso é de certa forma é preocupante”.

Em relação a abril de 2006, o levantamento do IBGE mostrou alguns dados positivos. Apesar da taxa de desemprego ter ficado quase inalterada, o rendimento médio dos trabalhadores aumentou 5% e o número de pessoas com carteira de trabalho assinada cresceu 3,9%, na comparação com o mesmo período do ano passado.

Para o técnico do IBGE os resultados anuais mostram o avanço na qualificação do trabalho. “Esse é o lado positivo. O mercado de trabalho tem um dever de casa cumprido, que é o aumento da formalização do rendimento da população ocupada”, destacou.   

Algumas atividades apresentaram expansão no emprego no mês de abril em relação ao mesmo período do ano passado, como a da construção, onde o pessoal ocupado cresceu 6,3% e a dos serviços prestados à empresas, aluguéis atividades imobiliárias e intermediações financeiras que aumentaram em 7,5% o contingente empregado.

Os dados da Pesquisa Mensal de Emprego são coletados em Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo e Porto Alegre.



 


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