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Brasília - O
representante do governo brasileiro no Fundo Monetário
Internacional (FMI), Paulo Nogueira Batista Jr, fez hoje um alerta
sobre o que ele chama de "sintomas de fragmentação
do sistema financeiro multilateral" e defendeu políticas prudentes voltadas para a autoproteção.
Paulo
Nogueira Batista Jr fez palestra no sobre o Brasil e as Finanças
Internacionais, no Itamaraty, onde também
inaugurou o auditório Paulo Nogueira
Batista, que homenageia o pai do economista.
Ele
também acompanha a missão do FMI que visita o Brasil e
à tarde tem encontro agendado com o Ministro da Fazenda, Guido
Mantega. Embora
o Brasil não tenha mais dívidas com o FMI, por ser um
de seus membros, tem as contas monitoradas periodicamente.
Segundo o economista os primeiros indícios dessa fragmentação são a perda de prestígio
do próprio FMI e do Banco Mundial, particularmente a
insatisfação, "muito acentuada", com a forma dessas
instituições tratarem as crises. Ele
citou como exemplo a atuação do FMI e do Banco Mundial
durante a crise asiática, em 1997, que deixou insatisfeitos os
países da região. "Os
asiáticos não ficaram contentes com a forma com que a
crise foi tratada, a ponto de o Japão, logo depois, negociar a
criação do Asian Monetary Fund (MF), barrado por
pressão americana", disse.
A
crise asiática abalou o sistema financeira mundial, na década
de 90, em conseqüência do alto endividamento e da
fragilidade econômica dos chamados Tigres Asiáticos
(Hong Kong, Malásia, Indonésia, Tailândia, Cingapura,
e Coréia do Sul).
O
economista lembrou, porém, que a idéia da criação
de instituições regionais não morreu e países
como Japão, China, Coréia do Sul, Malásia,
Tailândia, montaram, ao longo dos últimos anos, uma rede
de cooperação monetária e cambial, que vem sendo
gradualmente reforçada e pode se transformar a qualquer
momento no AMF. Ele lembrou que iniciativas parecidas também
estão sendo discutidas na América do Sul.
Segundo
Batista Jr, a Ásia, por exemplo, está sub-representada
nesses organismos multilaterais, mas tem potencial para ter uma
instituição regional forte, com reservas monetárias
elevadas lastreadas pela China, Coréia do Sul e Japão.
Ele
disse que o assunto vem sendo acompanhado atentamente por europeus e
americanos e já faz parte da pauta de discussões do FMI
e Banco Mundial.
"Eles
sabem que existe uma iniciativa séria e sólida
construída ao longo dos anos e pode levar ao desenvolvimento
de (outro) sistema multilateral financeira, caso os asiáticos
não tenham uma representação maior",
afirmou.
Outro
fato citado por Nogueira Jr. para mostrar a "perda de
importância relativa do FMI" é que até a
década de 70, não era incomum que o Fundo emprestasse a
países desenvolvidos, com "condicionalidades".
Porém,
durante o início dos anos 90, durante a transição
observada na Europa para implantar a moeda comum, o euro, embora
houvesse uma crise cambial gravíssima, o fato foi enfrentado
por conta própria pelos países da região. "(Houve)
um sistema de cooperação regional europeu próprio,
sem pedir apoio ao Fundo Monetário Internacional", disse.
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