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São Paulo - Os estudantes que ocupam o prédio da
reitoria da Universidade de São Paulo desde o último dia 3 voltaram a
afirmar que não vão negociar com a Polícia Militar a desocupação do
edifício. Segundo os estudantes, a permanência ou não no prédio somente
será discutida com a reitoria da universidade. Eles afirmam que a
negociação com a polícia feriria a autonomia da instituição.
Segundo o aluno André Ruan Francisco, que faz parte
do comitê de imprensa da ocupação, a polícia não convidou os estudantes
para qualquer reunião. Mas se o fizer, os estudantes, diz ele, não
deverão aceitar abrir uma negociação de desocupação com a PM. “Nós
vamos bater nessa tecla, nós não vamos negociar com a PM, pois isso
fere a autonomia da universidade”.
Na terça-feira (22), o comandante da tropa de choque da PM
de São Paulo, coronel Joviano Conceição Lima, disse que chamaria uma
reunião com estudantes, imprensa, entidades defensoras de direitos
humanos, representantes da Assembléia Legislativa paulista, da Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB), entre outros, para tentar uma
desocupação negociada do prédio da reitoria.
Ontem, professores da USP, que iniciaram greve,
pediram que a polícia se afastasse das negociações com os alunos. “Nós
repudiamos qualquer tentativa da PM de tentar pautar o movimento, que é
um movimento cívico, que questiona o não atendimento de reivindicações
muito justas e que deve ser resolvido no âmbito da negociação e no
âmbito da própria universidade. Isso é uma das prerrogativas da
autonomia universitária, por isso nós somos veementemente contrários a
que isso se resolva por meio de força”, disse o presidente da
Associação dos Docentes da USP, César Augusto Minto.
O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São
Paulo (Sintusp) entrou na Justiça, nessa quarta-feira (23), com
uma petição de sustação da liminar de reintegração de posse do prédio
da reitoria, ocupada por estudantes desde o último dia
3. O juiz deve julgar o recurso até as 16 horas de hoje. O sindicato pede que o juiz suspenda a liminar de
reintegração de posse, expedida no último dia 16, por dez dias, até que
as partes envolvidas cheguem a um acordo amigável.
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