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Brasília -
O ministro Marco
Aurélio Melo, do Supremo Tribunal Federal, defendeu hoje (23)
que "a prisão preventiva, mesmo que temporária,
não deve ser uma regra, mas uma exceção. A
banalização desse instituto é um retrocesso, que
deve ser combatido".
O normal, segundo o ministro, "é
que fatos sejam apurados para primeiro se ter a instrução
de um processo com propositura da ação penal".
"De outra forma, os valores ficam invertidos e a
sociedade fica perplexa, porque vê a situação de
um órgão mandar prender e o outro em seguida determinar
a soltura".
Para o ministro "é realmente
necessária uma correção de rumos na
administração pública, mas isso deve ser feito
com respeito às balisas do estado democrático de
direito".
"Estamos vivendo um período típico
em que os fatos estão aflorando e as instituições
procuram funcionar. No entanto, devemos observar que cada qual atua
na sua área, mas isso não quer dizer que se possa
perder parâmetros quanto ao respeito às instituições",
afirmou.
As declarações do ministro foram em
reposta sobre as repercussões da Operação
Navalha, realizada pela Polícia Federal, quando foram presas
48 pessoas, sendo que boa parte delas já foi solta.
O
ministro Marco Aurélio disse que a concessão de sete
habeas corpus por seu colega Gilmar Mendes, que vem sendo
questionado pelas decisões, "deve ter sido feita com base
na ordem jurídica". Ele ressaltou, no entanto, que não
conhece os casos em questão.
Com relação
às críticas de advogados de que os presos não
tinham culpa formada, Marco Aurélio disse que "a Justiça
não pode fazer de forma antecipada o justiçamento, a
não ser no caso da prisão em flagrante, mesmo assim no
que se refere à prisão, dentro dos limites da lei".
Questionado sobre o vazamento de informações de
que políticos receberam dinheiro da empresa Gautama,
atribuídas à Polícia Federal, o ministro
defendeu investigações. "Dar informações
sobre processos que correm sobre segredo de justiça é
uma coisa muito grave e cabe investigação para detectar
quem violou essa regra".
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