No Dia Nacional da Adoção, comemorado hoje (25), a organização não-governamental Projeto Aconchego promoveu um dia de incentivo e apoio às ações que fortaleçam a adoção e o apadrinhamento afetivo através da convivência familiar com crianças e adolescentes que estejam vivendo em abrigos. Em um shopping de Brasília, a organização distribuiu panfletos com orientações para estimular a comunidade a encarar a adoção com outros olhos.
A vice-presidente da entidade e mãe adotiva de três crianças, Jandimar Maria, salientou que além do incentivo a adoção e o apoio às famílias adotivas, o projeto também estimula o apadrinhamento afetivo. "É recente no Distrito Federal, tem uns três anos que iniciamos esse trabalho, mas tem como objetivo atender aquelas crianças que não conseguem ser adotadas. A gente prepara pessoas interessadas em ser padrinhos e madrinhas afetivas das crianças que estão nos abrigos.”
Sobre a quantidade de crianças em abrigos para serem adotadas, Jandimar disse que a maioria delas são crianças que ainda estão ligadas as famílias. Ou seja, “a questão jurídica dessas crianças ainda não foi resolvida, e leva tempo para isso, então essas crianças acabam crescendo nos abrigos, enquanto a situação delas se resolve. Quando chegam a ser liberadas, elas já não atendem ao perfil das pessoas que estão inscritas”.
Jandimar destacou que o maior número de pessoas inscritas nas varas de infância de do país, ainda hoje, traçam um perfil de crianças muito “excludente”. Os pedidos são para crianças brancas, menina, de 0 a 3 meses no máximo e “acaba sobrando um número grande de crianças que não atende esse perfil”.
O apadrinhamento afetivo, segundo a vice-presidente da entidade, foi uma idéia que surgiu no Rio Grande do Sul e que tem dado muitos resultados em todo país. A pessoa se inscreve para ser um padrinho ou madrinha, passa por uma capacitação e depois começa a visitar uma criança no abrigo.
O objetivo dessa visita, disse Jandimar, é construir um vínculo de afeto com essa criança. "Depois de firmada essa relação, ela busca essa criança em feriados, finais de semana e férias, para participar da vida familiar e receber uma sustentação emocional. Os resultados são melhora da auto estima, do desenvolvimento escolar e no relacionamento entre as crianças que estão nos abrigos.”
Jandimar destacou que o projeto sobre o Cadastro Único de Adoção, que tramita na Câmara dos Deputados, é muito positivo e vai possibilitar o cruzamento dos que querem adotar com o perfil de crianças em todo o Brasil. “O objetivo do cadastro único é ter um banco de pessoas interessadas em adotar e um banco de crianças e aí fazer esse cruzamento.”
De acordo com a dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplica (Ipea), no ano passado, cerca de 6 mil crianças foram adotadas no Brasil. Mesmo assim, 80 mil crianças ainda vivem em abrigos à espera de uma família. Dessas, apenas 10% estão disponíveis para adoção. Cerca de 87% delas têm família e cerca de 4% são órfãs.
Mais informações sobre o Projeto Aconchego no site www.projetoaconchego.org.br ou no telefone (61) 8473-6363.