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Brasília - O Programa de Combate ao Racismo Institucional (PCRI)
vai perder um aliado importante no Brasil. O principal
financiador, o Ministério Britânico para o Desenvolvimento
Internacional (DFID), ligado ao governo do Reino Unido, confirmou que
não vai mais repassar dinheiro para a iniciativa.
“O aporte financeiro se encerrou. Há um ano, o
programa acabou formalmente e, na verdade, não há perspectiva em
relação a continuidade”, disse Ernesto Jeger, assessor de governança
do DFID no Brasil. Criado em 2001, o PCRI recebeu do DFID US$ 1,06
milhão nos últimos seis anos, segundo informações do Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento (Pnud), que também é parceiro da iniciativa.
O dinheiro foi aplicado, por exemplo, em cursos de
capacitação para gestores públicos, servidores da rede de saúde,
professores e comunicadores, a exemplo de experiências das prefeituras
de Salvador e Recife. As ações ajudaram a reduzir a mortalidade materna
e infantil na população negra e combater a anemia falciforme.
No entanto, o representante do governo britânico afirmou que o DFID poderá contribuir “sensibilizando outros órgãos
internacionais para apoiar o programa” e que as portas para o PCRI
não serão fechadas. “Na medida que as demandas aparecerem, avaliaremos
no que poderemos contribuir”, disse Jeger, acrescentando que a parceria
não se dará com o aporte original de recurso.
Para justificar a medida, ele explicou que nos
últimos anos o DFID mudou o foco de atuação e passou a priorizar
programas voltados para a América Latina e não somente para o Brasil.
Outro ponto, esclarece, é que o órgão passará a atuar em países
africanos “considerados mais pobres que o Brasil”.
Na avaliação de Maria do Carmo Rebouças, gerente do
escritório do PNUD na Bahia, esse é o momento de o governo brasileiro
se comprometer com o financiamento do programa. “A função da cooperação
com organismo internacionais é influenciar os governos e fazer com que
os Estados entendam a importância de incorporar o tema como uma
política nacional.”
Neste sentido, o Brasil já deu passos importantes. No
âmbito internacional, é signatário de acordos de combate ao racismo e
dentro do país articula ações por meio da Secretaria Especial de
Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Mesmo assim,
Rebouças não descarta o financiamento por meio do Pnud, que continuará
a incentivar a consolidação do programa e a expansão de experiências
no país.
A partir de agora, o fim da discriminação de negros
dentro de instituições também dependerá de mobilização social. Para a
bióloga e Doutora em Saúde Pública, Fernanda Lopes, que foi consultora
do PNUD na construção do PCRI, a sociedade civil deve pressionar tanto
o governo federal quanto os municipais.
“O momento é de rediscutir o
financiamento e contar com líderes que defendem a incorporação do
combate ao racismo nas políticas públicas”, afirmou Lopes. “É muito
importante que a sociedade civil incorpore esta metodologia que se
inspirou nas demandas sociais.”
O Programa de Combate ao Racismo Institucional foi
avaliado ontem (24) durante seminário em Brasília. Criado em 2001, o
programa também tem como parceiros a Seppir, o Ministério Público de
Pernambuco e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). A partir de
2007, a expectativa é de que as atividades continuem nos municípios.
Reduzir disparidades raciais levará o
governo brasileiro a somar esforços na condução do programa, segundo a
ministra da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial (Seppir), Matilde Ribeiro. “Estamos trabalhando ao longo desses
quatro anos para ter uma revisão no sistema de saúde brasileiro para
que o racismo, a discriminação racial, a discriminação por questão de
sexo não sejam impeditivos para que o cidadão seja atendido.”
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