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Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, manifestou hoje (26), formalmente, a
posição do governo brasileiro contra os
atuais critérios no processo de escolha dos dirigentes de
instituições financeiras multilaterais.
Em
comunicado sobre a reforma no processo de escolha dos presidentes do
Banco Mundial (Bird) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), Mantega afirmou que os diretores desses
organismos devem ser definidos "segundo processos abertos e
transparentes, sem restrição a candidaturas em função
da nacionalidade".
A posição do Brasil é
compartilhada pelos membros do G-20 financeiro, grupo
que congrega ministros e presidentes de bancos centrais
das economias mais avançadas e dos principais emergentes.
Um comunicado semelhante está
sendo emitido pelo ministro das Finanças da África do
Sul, Trevor Manuel, atual presidente do G-20, e pelo secretário
do Tesouro da Austrália, Peter Costello, segundo Mantega.
De acordo com os critérios adotados desde a criação das duas instituições, há 60 anos, a presidência do Banco Mundial é
ocupada por um cidadão norte-americano, indicado pelo
presidente dos Estados Unidos, e o diretor-gerente do FMI é
escolhido por indicação dos principais países da
Europa Ocidental.
Diz a nota: "O governo brasileiro entende que tal costume não encontra
fundamento na realidade contemporânea, constituindo anacronismo
que deve ser superado no contexto das instituições
financeiras multilaterais. Num momento em que a legitimidade, a
representatividade e a eficácia do Banco Mundial e do FMI
precisam ser restauradas, seria de lamentar que a escolha do novo presidente do Banco Mundial não fosse baseada no mérito
de candidatos apresentados por qualquer dos Estados membros da
instituição".
O cargo
de presidente do Banco Mundial está vago desde que Paul
Wolfowitz pediu demissão, após denúncia de favorecer a própria namorada e ex-funcionária do banco com promoções. Wolfowitz estava na presidência do Banco
Mundial desde 2005. Antes disso, foi membro do Pentágono e
ajudou na formulação da estratégia para a invasão ao Iraque.
O
comunicado divulgado hoje pelo Ministério da Fazenda diz que
a posição do G-20 é reforçada "à
luz dos recentes acontecimentos no Banco Mundial".
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