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Brasília - O empresário
Zuleido Veras, dono da Construtora Gautama, recusou-se a depor no
Superior Tribunal de Justiça e vai continuar preso na
carceragem da Superintendência da Polícia Federal, por
determinação da ministra Eliana Calmon, responsável
pelo inquérito dos acusados de corrupção presos
pela Operação Navalha.
Zuleido é o
terceiro investigado que se nega a prestar depoimento. Os outros
foram dois sobrinhos do governador do Maranhão, Jackson Lago,
liberados posteriormente por habeas corpus do Supremo
Tribunal Federal (STF): Francisco de Paula Lima Junior e Alexandre
Maia Lago.
Zuleido deveria ter
prestado depoimento após uma parada para almoço,
realizada depois que Maria de Fátima Palmeira, diretora
comercial da Gautama, acabou de depor. Mas o empresário entrou
na sala e saiu logoem seguida. Entrou no camburão da PF e
seguiu para a prisão. Lá deverá ficar assim como
Fátima, que recebeu ordem de permanecer presa até que o
depoimento dele fosse encerrado.
Segundo as
investigações da PF, Fátima era o braço
direito de Zuleido, apontado como mentor do grupo acusado de fraudar
licitações e desviar recursos públicos
destinados a obras públicas e programas sociais como o Luz
para Todos. Ambos foram presos no último dia 17, durante a
Operação Navalha.
Zuleido seria o 39º dos
47 presos a prestar depoimento. Ainda faltam o filho dele, Rodolpho
de Albuquerque Soares de Veras; o engenheiro e diretor da empresa
Abelardo Sampaio Lopes Filho; o diretor financeiro Gil Jacó
Carvalho Santos; Dimas Soares de Veras, que além de empregado
da construtora é irmão de Zuleido; a secretária
da Gautama, Tereza Freire Lima; o funcionário Henrique Garcia
de Araújo, que, segundo a PF, administra uma fazenda usada
para legalizar o dinheiro obtido com os delitos mediante a compra e
venda de gado e de João Manoel Soares Barros, também
funcionário da Gautama.
Até o momento, o único
investigado preso que não foi ouvido é o deputado
distrital Pedro Passos (PMDB), que obteve habeas corpus do
Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a assessoria do STJ, até
o momento, Passos não formalizou a intenção de
depor. Ele deveria ter sido ouvido na última quarta-feira, mas
foi solto na noite anterior por causa do habeas corpus, concedido
pelo ministro Gilmar Mendes. No mesmo dia, a ministra Eliana Calmon
retirou o nome do distrital da relação de depoentes por
acreditar que, uma vez solto, ele não voltaria ao STJ para
depor.
Mendes, que foi questionado por conceder liberdade a
suspeitos presos pela PF, criticou
durante a semana o vazamento de informações sigilosas
da investigação. A afirmação do ministro
foi feita após gravações divulgadas pela
imprensa e possivelmente feitas pela Polícia Federal, em que
aparece um nome igual ao dele. Não há detalhes
confirmados sobre a gravação e se ele significa alguma
linha de investigação. Segundo Mendes, isso seria uma
tentativa de amedrontá-lo por conta dos julgamentos de habeas
corpus relacionados à investigação.
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