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28 de Maio de 2007 - 18h36 - Última modificação em 28 de Maio de 2007 - 18h36


Polícia Militar matou estudante de 12 anos, acusa morador do Complexo do Alemão

Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio de Janeiro - O adolescente Yuri Andrade da Rosa, de 12 anos, foi atingido por um tiro na cabeça na tarde do último sábado (26), na Vila Cruzeiro, que faz parte do Complexo do Alemão, zona norte do Rio. Segundo testemunhas, ele jogava bolinha de gude com seus amigos, quando o veículo blindado da Polícia Militar conhecido como Caveirão aproximou-se e os policiais que estavam dentro fizeram vários disparos. O vendedor Reinaldo da Silva, que testemunhou a cena, foi quem levou Yuri para o Hospital Getúlio Vargas, na Penha, onde o adolescente acabou morrendo, na noite de domingo.

“O Caveirão passou lá para dentro do complexo. Quando voltou, só tinha crianças brincando, ele parou na esquina da rua Ipojuca, ficou mirando as crianças. E até falei: criançada, sai daí, que eles estão mirando vocês. Teve um garotinho que até brincou: nós não é (sic) bandido. Aí eu escutei um estouro e bateu restos da parede no meu rosto e eu vi quando o menininho se abaixou e botou a mão na cabeça, sangrando. Foi quando eu peguei ele no colo e desci até o hospital”, relatou Reinaldo

A assessoria de comunicação da Polícia Militar negou que os tiros tenham partido do veículo blindado e disse que a perícia da Polícia Civil deve determinar de onde partiu o tiro que matou Yuri.

O pai do menino, Walker Martins da Rosa, que trabalha como ajudante de padaria em um supermercado, não tem muita esperança de que os responsáveis sejam punidos. “Eu não confio mais [na Justiça]. Sei que não vai dar em nada mesmo. Vai ficar tudo igual. Acho que para o pobre é assim mesmo. Se fosse para o rico, já tinham corrido atrás. Para o pobre, a discussão fica algum tempo, depois abafa, passa outro dia, vem outro, morre, dá entrevista, e vai seguindo. A gente não vai ter retorno nenhum”, desabafou Walker.

Yuri cursava a terceira série do ensino fundamental na escola Mário Kroeff e, segundo seu pai, sonhava em ser piloto da Aeronáutica. Ele foi enterrado na tarde desta segunda-feira (28) no Cemitério de Irajá (zona norte). Yuri é a 17a vítima fatal desde o início da operação policial no conjunto de favelas do Alemão, que já deixou outras 55 pessoas feridas. A polícia cerca o Complexo do Alemão desde o dia 2 de maio, para tentar prender os responsáveis pela execução de dois PMs, dentro de uma viatura, no bairro de Oswaldo Cruz.


 


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