



|
Rio de Janeiro - A
entrada em operação da Usina Angra 3 é
fundamental para o desenvolvimento do país e para a melhoria
da qualidade de vida da população. A declaração
foi feita hoje (31) pelo presidente do Comitê Brasileiro do
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
(Instituto Brasil Pnuma), Haroldo Lemos.
Ele lembrou que, como
a construção da usina está paralisada há
cerca de 20 anos, o país gasta aproximadamente US$ 20 milhões
por ano com a manutenção dos equipamentos, já
comprados.
"Eu sou absolutamente a favor. Os
equipamentos já estão comprados, nós estamos
gastando dinheiro para mantê-los. Por que, então, não
montar a usina com todo o cuidado necessário?”, questionou.
"Construir novas usinas é discutível, porque é
preciso pensar nas necessidades, na localização, nas
tecnologias. Mas nós não vamos escapar de precisar de
mais energia nuclear no futuro", afirmou, ao participar da abertura das comemorações
pela Semana do Meio Ambiente promovidas pela Eletronuclear.
O
presidente do Pnuma também afirmou que atualmente as usinas
nucleares são muito mais seguras do que as construídas
logo que a tecnologia foi desenvolvida. Segundo ele, o principal
problema nesse tipo de fonte energética é a produção
dos rejeitos tóxicos. De acordo com a Eletronuclear, todo o
lixo produzido (que é o combustível depois de
irradiado) é armazenado em cápsulas em condições
seguras, que permitem o isolamento de todo o material em uma piscina
na própria usina.
"Essa é a solução
hoje aceitável, mas tem que ser mantida se não
descobrirmos nada melhor a se fazer e isso significa ter custos etc.
O ideal seria que num futuro próximo fosse desenvolvida uma
tecnologia para neutralizar esses resíduos. No entanto, pior
do que fazer a armazenagem é ficar sem geração
energética. A sociedade não nos perdoaria se tomássemos
essa decisão e faltasse energia", declarou.
No dia 16, o
secretário de Desenvolvimento e Planejamento do Ministério
de Minas e Energia, Márcio Zimermmann, disse que o país
precisará de quatro a oito novas usinas atômicas para
suprir o crescimento da demanda por energia até 2030. A
necessidade é contestada pela ministra do Meio Ambiente,
Marina Silva, e por entidades como o Greenpeace, que apontam riscos
no acúmulo de lixo radioativo e possibilidades de produção
energética a custo mais baixo.
O presidente da
Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, que também participou da
abertura do evento de hoje, lembrou que o Brasil conta com uma das
maiores reservas mundiais de urânio (combustível usado
nesse tipo de usina). Ele também afirmou que a construção
das duas outras usinas nucleares brasileiras (Angra 1 e Angra 2) foi
decidida numa perspectiva de necessidades futuras, ao contrário
do que hoje acontece com Angra 3.
Segundo ele, neste caso,
trata-se de uma "perspectiva atual de necessidade e de
desenvolvimento econômico". Segundo ele, embora a matriz
energética brasileira seja predominantemente hidrelétrica,
precisa da geração térmica para garantir a
estabilidade em épocas de seca. A fonte nucelar é uma
alternativa (ao lado do gás e do petróleo) de geração
de energia térmica.
"As térmicas funcionam
como um reservatório virtual para garantir o abastecimento. A
gente quer eletricidade no verão, quando há maior
disponibilidade de água para fazer funcionar as hidrelétricas,
para usar o ar condicionado, a cafeteira. Mas no inverno, quando há
menos chuvas, a gente também quer continuar tendo
eletricidade. Por isso, a gente tem que assegurar que o ano todo e ao
longo dos anos haja geração energética. Tem que
diversificar para ter segurança", defendeu.
|
|