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Nova Delhi (Índia) - Pergunte a um indiano o
que sabe sobre o Brasil: “futebol, Ronaldinho, samba”. Mas a
recíproca não é muito diferente. Os brasileiros
também enxergam a Índia de forma estereotipada e reduzem uma cultura
milenar a meia dúzia de referências, como Buda, Gandhi,
insensos, bordados coloridos e pobreza.
A aproximação
cultural é um desafio para os dois países, na opinião
da antropóloga brasileira Marilda Batista, que vive há
um ano e meio na capital Nova Delhi e é professora visitante
de Estudos Brasileiros na Jawaharlal Nehru University, uma das
principais universidades públicas da Índia.
“Existe um enorme
desconhecimento. Tudo fica em termos de clichês, de
estereótipos do que seria o Brasil. A Amazônia, o
futebol, o carnaval são as imagens que eles recebem na mídia
indiana. Mas há um interesse muito grande em conhecer o que é
exatamente isso e não ficar limitado aos clichês”,
avalia a antropóloga, que faz parte da Rede de Leitorado,
programa do governo brasileiro que leva professores doutores e
especialistas em língua portuguesa e cultura brasileira a
universidades em 22 países.
Na Índia, o
leitorado desenvolve atividades nas cidades de Nova Delhi e Goa.
Marilda utiliza filmes, documentários e letras de música
que refletem a realidade brasileira como meio de propagação
da cultura brasileira entre jovens indianos. A relação
de filmes já exibidos em sala de aula inclui O Homem que
Copiava, Cidade de Deus, Carandiru e Central do Brasil.
“As
imagens têm um efeito imediato. Vendo filmes, exposições
de arte brasileira e mesmo experimentando nossa gastronomia, as
pessoas podem entrar no universo conceitual do Brasil. Isso é
muito importante”, acredita. Em Nova Delhi, por exemplo, não
há nenhum restaurante brasileiro.
Essa aproximação
pode impulsionar as relações comerciais, acredita a
antropóloga, que confessa ter chegado à Índia
cheia de receios e conceitos pré-estabelecidos. “A cultura,
antes de mais nada, é compreender o outro. Para se estabelecer
uma relação política e comercial, é
importante conhecer o universo do outro, poder se colocar um pouco no
lugar do outro”, avalia.
A menos de três
dias da chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à
Índia – marcada para domingo (3) –, a NDTV, um dos
principais canais indianos de notícias, com transmissão
em inglês 24 horas, exibiu longa reportagem sobre o Brasil. O
especial, chamado Lula’s Brazil (O Brasil de Lula), mostrou, sim,
futebol e novelas. Mas definiu o país como potência
agrícola, deu ênfase às atividades da Embraer e
mostrou o Brasil como exemplo a ser seguido no que se refere à
produção e uso do álcool combustível.
Acordo nessa área poderá ser firmado entre os dois
países nos próximos dias.
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