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2 de Junho de 2007 - 17h24 - Última modificação em 2 de Junho de 2007 - 17h42


Jovens querem transformar o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas em programa de governo

Irene Lôbo
Repórter da Agência Brasil

 
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Valter Campanato/ABr
Brasília - A assessora técnica do Programa Nacional de DST/Aids, Maria Adrião, fala à Agência Brasil, durante a 2ª Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas, promovida pelos ministérios da Saúde e Educação Brasília - A assessora técnica do Programa Nacional de DST/Aids, Maria Adrião, fala à Agência Brasil, durante a 2ª Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas, promovida pelos ministérios da Saúde e Educação
Brasília - A assessora técnica do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids (DST/Aids) do Ministério da Saúde, Maria Adrião, disse que o grande desafio que surgirá a partir da 2ª Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas, que ocorre até amanhã (3) na Universidade de Brasília (UnB), será ampliar as ações de saúde sexual e reprodutiva para todas as escolas do país.

Segundo ela, o caminho para que isso aconteça é a institucionalização do Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, ou seja, a sua transformação em um programa de governo. Ontem (1º), na abertura da mostra, os próprios jovens entregaram uma carta aos secretários executivos dos ministério da Saúde, Márcia Bassit, e da Educação, José Henrique Paim, pedindo que o projeto se torne um programa de governo.

“Ele ainda é um projeto, mas estão sendo feitas algumas articulações internas nos ministérios. Tem o apoio do Unicef [Fundo das Nações Unidas para a Infância], Unesco [Organização das Nações para a Educação, a Ciência e a Cultura] e UNPA [Fundo de População das Nações Unidas]. É um grande projeto e dentro dele existem diferentes iniciativas nas escolas”, explicou Maria Adrião.

De acordo com a coordenadora, a estratégia de utilizar o protagonismo juvenil na promoção da saúde sexual e reprodutiva dos jovens pretende mudar a visão que a sociedade tem dos adolescentes. “A visão que a sociedade tem do adolescente é ainda como um sujeito de não-direito, tutelado ao Estado, e como um sujeito problemático que vive uma fase complexa. Um dos objetivos do projeto é justamente desconstruir essa visão, pensar que o adolescente é um sujeito de direitos e que pode participar ativamente de um processo de escolhas mais saudáveis e uma vida sexual responsável”, afirmou.

Inicialmente eram esperados 700 participantes de todo o país, mas, segundo Maria Adrião, cerca de 900 pessoas compareceram ontem à abertura do evento. Entre os participantes estão representantes dos países do Fórum Mercosul (Argentina, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai), da Rede Laços Sul-Sul (formada por oito países, inclusive o Brasil) e membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O representante do Unicef no Paraguai, Amado Louveira, disse que o Brasil adota um enfoque progressista ao inserir a educação sexual nas escolas. "Nós acreditamos que, de alguma maneira, estas experiências podem ajudar muito as pessoas e instituições que vieram de outros países para poder observar esta mostra. Quando anunciaram ontem que esse projeto poderá se tornar uma política pública, creio que foi uma notícia muito importante e representa talvez o passo mais importante, as respostas de aprovação que os adolescentes presentes receberam”, afirmou.

José Ramón, representante do Unicef na Nicarágua, diz que o Brasil está dando um exemplo importante aos demais países do mundo. “Está determinado que a única maneira de deter a epidemia de aids em nossos países é intensificar a prevenção. E, nesse sentido, é importante ter um olhar mais além do tratamento anti-retroviral, mais além da atenção médica, e enfocar na articulação com as escolas, na prevenção por meio da educação. Creio que o Brasil está nos dando um exemplo importante sobre isso”.

O Projeto Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) foi lançado em 84 escolas, em 2003, mas as ações para inserir os temas saúde sexual e reprodutiva nas escolas começaram em 1995. A partir de 2004, as estratégias foram expandidas para os 26 estados e o Distrito Federal.


 


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