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3 de Junho de 2007 - 16h20 - Última modificação em 3 de Junho de 2007 - 16h20


Moradores do Morro do Alemão fazem ato ecumênico contra a violência

Cristiane Ribeiro
Repórter da Agência Brasil

 
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Rio - A chuva fina e o frio deste domingo (3) não intimidaram os cerca de 200 moradores e comerciantes do complexo de favelas do Morro do Alemão, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, que participaram de um ato ecumênico contra a violência. O ato aconteceu no Largo da Penha e muitas crianças sacudiram bandeirolas brancas e faixas pedindo paz.

Antes, eles assistiram missas e cultos em igrejas católicas e evangélicas, em cada uma das 12 comunidades que compõem o complexo, em memória das vítimas dos confrontos entre policiais e traficantes. 

A ocupação policial no Complexo do Alemão completou um mês na última sexta-feira (1º), deixando 17 mortos e 60 feridos por balas perdidas, a maioria moradores. Nesse período, cerca de 5 mil crianças estão sem aulas, porque as escolas e creches da região não funcionam. O lixo na parte alta do morro se acumula porque os caminhões da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) não conseguem subir. A Light ainda não conseguiu restabecer a energia em todas as casas e ruas, que ficaram sem luz desde que traficantes atiraram nos transformadores, danificando a rede elétrica.

O coordenador da organização não-governamental Movimento Viva Rio, Rubem César Fernandes, que acompanhou o ato ecumênico, disse que esta é a hora de as lideranças da comunidade se unirem e cobrarem do poder público os direitos dos cidadãos. Segundo ele, somente um diálogo com o governo pode devolver a qualidade de vida que as mais de 100 mil pessoas que moram nas comunidades tinham antes do início dessa ocupação policial.

  “Eu acho urgente que se abra um canal de comunicação entre a polícia, o governo do estado e as organizações sociais sobre a garantia dos direitos da população, como por exemplo a volta das crianças para a escola. E, a partir daí, discutir as questões como lixo, luz e melhorias, que foram prometidas para a comunidade há cinco anos quando o jornalista Tim Lopes foi assassinado, e não foram cumpridas”, defendeu o sociólogo.

  A professora Inês Barbosa, de uma das escolas fechadas, pediu a interferência da prefeitura da cidade, já que as crianças sem aula não têm alternativas para estudar.

  “A prefeitura não está dando alternativa para as crianças, que estão há um mês sem aula e como fica a meta de conteúdo que nós professores temos que cumprir?, indagou.

  Nenhum representante da Secretaria de Segurança Pública do estado participou do ato ecumênico. A assessoria de imprensa do órgão informou que a ocupação no Morro do Alemão vai continuar por tempo indeterminado. O cerco começou depois que dois policiais militares foram assassinados dentro de uma patrulha da corporação, em uma rua no bairro de Oswaldo Cruz, também na zona norte da cidade.



 


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