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Rio - A chuva fina e o frio
deste domingo (3) não intimidaram os cerca de 200 moradores e
comerciantes do complexo de favelas do Morro do Alemão, na Penha, zona
norte do Rio de Janeiro, que participaram de um ato ecumênico contra a
violência. O ato aconteceu no Largo da Penha e muitas crianças
sacudiram bandeirolas brancas e faixas pedindo paz.
Antes, eles assistiram missas e cultos em igrejas
católicas e evangélicas, em cada uma das 12 comunidades que compõem o
complexo, em memória das vítimas dos confrontos entre policiais e
traficantes.
A ocupação policial no Complexo do Alemão
completou um mês na última sexta-feira (1º), deixando 17 mortos e 60 feridos
por balas perdidas, a maioria moradores. Nesse período, cerca de 5 mil
crianças estão sem aulas, porque as escolas e creches da região não
funcionam. O lixo na parte alta do morro se acumula porque os caminhões
da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) não conseguem subir. A
Light ainda não conseguiu restabecer a energia em todas as casas e
ruas, que ficaram sem luz desde que traficantes atiraram nos
transformadores, danificando a rede elétrica.
O coordenador da organização não-governamental
Movimento Viva Rio, Rubem César Fernandes, que acompanhou o ato
ecumênico, disse que esta é a hora de as lideranças da comunidade se
unirem e cobrarem do poder público os direitos dos cidadãos. Segundo
ele, somente um diálogo com o governo pode devolver a qualidade de vida
que as mais de 100 mil pessoas que moram nas comunidades tinham antes
do início dessa ocupação policial.
“Eu acho urgente que se abra um canal de
comunicação entre a polícia, o governo do estado e as organizações
sociais sobre a garantia dos direitos da população, como por exemplo a
volta das crianças para a escola. E, a partir daí, discutir as questões
como lixo, luz e melhorias, que foram prometidas para a comunidade há
cinco anos quando o jornalista Tim Lopes foi assassinado, e não foram
cumpridas”, defendeu o sociólogo.
A professora Inês Barbosa, de uma das escolas
fechadas, pediu a interferência da prefeitura da cidade, já que as
crianças sem aula não têm alternativas para estudar.
“A prefeitura não está dando alternativa para as
crianças, que estão há um mês sem aula e como fica a meta de conteúdo
que nós professores temos que cumprir?, indagou.
Nenhum representante da Secretaria de Segurança
Pública do estado participou do ato ecumênico. A assessoria de imprensa
do órgão informou que a ocupação no Morro do Alemão vai continuar por
tempo indeterminado. O cerco começou depois que dois policiais
militares foram assassinados dentro de uma patrulha da corporação, em
uma rua no bairro de Oswaldo Cruz, também na zona norte da cidade.
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