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Brasília - Um bolo de um metro confeitado com chocolate, que formava um desenho de uma estrada semi-pavimentada, foi servido na Praça dos Três Poderes, hoje (5), em protesto contra a demora na publicação do decreto presidencial que oficializa o modelo de gestão do Plano BR 163 Sustentável.
O plano foi concebido para diminuir os impactos ambientais do asfaltamento da BR 163, que liga Cuiabá (MT) à Santarém (PA), e fará o escoamento da produção agrícola, pecuária e extrativa da Amazônia.
A obra na rodovia está entre os projetos prioritários do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), deverá custar R$ 1,5 bilhão até 2010, e aguarda licenciamento do Ibama para início de execução.
Para discutir
alternativas que minimizam o impacto ambiental da pavimentação
da estrada, movimentos sociais e organizações
não-governamentais se mobilizaram e pautaram o planejamento da
pavimentação da BR 163. Agora aguardam o decreto que
colocará em prática as ações
propostas.
"A BR 163 tem esse potencial de desenvolver um
modelo diferenciado de obras de infra-estrutura na região, em
que a sociedade pode apontar o que é prioritário para
minimizar os impactos. Esse modelo poderia servir para as demais
obras que o governo pretende implementar na região",
explica Adriana Ramos, coordenadora do Instituto Sócio-Ambiental
(ISA), que defende a iniciativa de consulta à sociedade, mas
cobra maior agilidade de execução das ações.
De acordo as entidades da sociedade civil que formaram o consórcio de organizações para elaboração do planejamento das medidas mitigadoras do impacto ambiental da obra, faz quase um ano que o plano foi lançado pelo governo. "A gente quer que o governo responda porque neste caso, em que a obra tem praticamente todos os potenciais conflitos já resolvidos e tem um plano que beneficia a sociedade, o governo não investe", reclama Adriana Ramos.
A assessoria de
imprensa da Casa Civil da Presidência da República
informou que uma versão preliminar do decreto presidencial já
foi analisada pelos 14 ministérios que participam do Plano BR
163 Sustentável e que após adequação
técnica e jurídica, o Ministério da Integração
Nacional encaminhará uma proposta de decreto para a
Presidência da República. Ainda não há
previsão do envio.
Entre as demandas da sociedade estavam a necessidade de frear a grilagem de terras e garantir a preservação ambiental em áreas de influencia da BR 163. Essas demandas foram atendidas com a criação de um mosaico de oito unidades de conservação e a proibição da venda de terras em áreas marginais da rodovia.
Além da
preservação ambiental, movimentos sociais locais querem
que a pavimentação da BR 163 viabilize a recuperação
de pistas e estradas vicinais, eletrificação de áreas
rurais, titulação de terra e estímulos para a
produção de várias culturas, por meio da
agricultura familiar e por cooperativas de pequenos agricultores.
O
protesto das entidades civis na frente do Palácio do Planalto
se juntou à mobilização de duzentos funcionários
do Ibama que neste Dia Mundial do Meio Ambiente faziam manifestação
contra a divisão da autarquia e a criação do
Instituto Chico Mendes de Conservação da
Biodiversidade.
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